02_Tessa Dare - [Spindle Cove 02] - Uma semana para se perder - Copia.pdf

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Unformatted text preview: Série Spindle Cove Livro 2 Uma semana para se perder TRADUÇÃO: A C Reis Capítulo Um Quando uma garota se arrasta penosamente, debaixo de chuva, no meio da noite, para bater na porta da casa do diabo, este deveria no mínimo ter a decência – se não a indecência – de atender. Minerva apertou as bordas de sua capa com uma mão, enquanto enfrentava mais uma rajada de vento frio e cortante. Ela encarou a porta com desespero, depois bateu novamente com o punho fechado. “Lorde Payne”, gritou ela, esperando que sua voz atravessasse as tábuas grossas de carvalho. “Por favor, atenda a porta! É a Srta. Highwood.” Depois de uma pausa, ela completou, “Srta. Minerva Highwood.” Pareceu-lhe ridículo que ela precisasse dizer qual Srta. Highwood era ela. Sua irmã mais nova, Charlotte, era uma jovem exuberante, mas ainda muito nova, com apenas quinze anos de idade. E a mais velha da família, Diana, possuía não apenas beleza angelical, mas uma disposição igualmente frágil. Nenhuma delas era do tipo que sairia da cama à noite e desceria as escadas da pensão furtivamente para se encontrar com um notório libertino. Mas Minerva era diferente. Ela sempre foi diferente. Das três irmãs Highwood, ela era a única com cabelos escuros, a única que usava óculos e a única que preferia botas com cadarço a sapatilhas de seda. E também era a única que se preocupava com a diferença entre rochas sedimentares e metamórficas. A única sem pretendentes, e sem reputação para proteger. Diana e Charlotte vão ficar bem, mas Minerva? Sem graça, estudiosa, absorta, desajeitada com os cavalheiros. Em poucas palavras: sem salvação. Essas foram as palavras de sua própria mãe em uma carta recente enviada à prima. Como se não bastasse, Minerva não descobriu essa descrição de si mesma xeretando a correspondência particular de sua mãe. Ah, não. Ela mesma escreveu as palavras, que lhe foram ditadas pela mãe. Sério. Sua própria mãe! O vento inflou seu capuz e o jogou para trás. A chuva fria transpassou sua nuca, piorando sua situação. Empurrando o cabelo que estava colado no rosto para o lado, Minerva olhou para a antiga torre de pedra, uma das quatro que compunham a parte central do castelo. Fumaça escapava pela abertura mais alta. Ela ergueu o punho novamente e bateu na porta com a força renovada. “Lorde Payne, eu sei que está aí!” Homem vil, zombeteiro. Minerva ficaria ali mesmo, parada naquele lugar, até que ele a deixasse entrar, mesmo que a chuva fria de primavera a molhasse até a medula. Ela não subira toda aquela distância, da vila ao castelo, escorregando no musgo que aflorava pelo caminho e abrindo sulcos na lama, só para marchar de volta para a pensão pelo mesmo caminho, derrotada. Contudo, depois de um minuto inteiro batendo na porta sem obter resposta, a fadiga resultante de sua jornada começou a se manifestar, provocando cãibras nas panturrilhas e curvando sua coluna. Minerva desabou para a frente. Sua testa atingiu a madeira com um baque surdo. Ela manteve o punho erguido acima da cabeça e continuou batendo na porta em um ritmo constante, obstinado. Ela podia muito bem ser sem graça, estudiosa, absorta e desajeitada, mas era determinada. Determinada a ser reconhecida, a ser ouvida. Determinada a proteger sua irmã, a qualquer custo. Abra, desejou ela. Abra. Abra. Ab... A porta foi aberta. Rapidamente, com um movimento decidido, sem hesitação. “Pelo amor às tetas, Thorne. Isso não pode esperar até...” “Ai!” Desequilibrada, Minerva caiu para a frente. Seu punho bateu forte contra – não a porta, mas um peito. O peito de Lorde Payne. Seu peito másculo, musculoso e nu, que se mostrou só um pouco menos sólido que uma tábua de carvalho. O golpe de Minerva atingiu em cheio o mamilo dele, como se fosse a aldrava da porta da casa do diabo. Pelo menos dessa vez o diabo atendeu. “Ora.” A palavra ressoou através do braço dela. “Você não é Thorne.” “V-você não está vestido.” E eu estou tocando seu peito nu. Oh... Senhor. Ocorreu a Minerva o pensamento aflitivo de que ele poderia também não estar usando calças. Ela se endireitou. Enquanto removia os óculos com dedos trêmulos e gelados, viu uma mancha tranquilizadora de tecido escuro abaixo da imagem borrada do torso dele. Minerva bafejou as lentes de seus óculos e as limpou com o forro seco de sua capa, para depois recolocá-los no rosto. Ele continuava seminu, e agora em foco perfeito. Línguas tortuosas produzidas pela luz do fogo lamberam cada traço de seu belo rosto, definindo-o. “Entre, se é isso o que quer.” Ele franziu o rosto depois de um sopro gelado do vento. “De um modo ou de outro, vou fechar a porta.” Ela entrou. A porta foi fechada atrás dela com um som pesado e breve. Minerva engoliu em seco. “Devo dizer, Melinda, que esta é uma surpresa e tanto.” “Meu nome é Minerva.” “Claro, claro.” Ele inclinou a cabeça. “Eu não reconheci seu rosto sem o livro na frente.” Ela soltou um longo suspiro enquanto se armava de paciência. Mais um pouco... E ainda mais, até que se sentiu capaz de aguentar um libertino provocador com péssima memória... E ombros espantosamente bem definidos. “Eu admito”, disse ele, “que esta não é a primeira vez que atendo a porta no meio da noite para encontrar uma mulher esperando por mim do lado de fora. Mas você é, com certeza, a mulher que eu menos esperaria.” Colin a avaliou até os pés. “Mas é a mais enlameada.” Pesarosa, Minerva olhou para as botas cheias de barro e a bainha enlameada da saia. Com certeza ela não fazia o tipo “sedutora da noite”. “Esta não é uma visita desse tipo.” “Permita-me um momento para eu absorver a decepção.” “Eu prefiro lhe dar um momento para se vestir.” Minerva atravessou o aposento circular de pedra, sem janelas, e foi diretamente até a lareira. Ela demorou um pouco para soltar os laços de veludo da capa, que depois pendurou na única poltrona do local. Aparentemente, Colin não havia desperdiçado totalmente seus meses em Spindle Cove. Alguém tinha dedicado muito trabalho para transformar aquele silo de pedra em um lar quente e quase confortável. A lareira foi limpa, restaurada e colocada em funcionamento. Nela crepitava um fogo grande o bastante para deixar orgulhoso um guerreiro normando. Além da poltrona, o aposento circular continha uma mesa de madeira e bancos. Tudo simples, mas bem feito. Não havia cama. Estranho... ela vasculhou o local com o olhar. Aquele libertino infame não precisava de uma cama? Ela olhou para cima... A resposta pairava sobre ela. Colin havia construído um tipo de mezanino, com acesso por uma escada. Cortinas luxuosas escondiam o que ela imaginou ser a cama dele. Acima do mezanino, as paredes de pedra subiam para um “nada” escuro e cavernoso. Minerva decidiu que tinha dado a Lorde Payne tempo suficiente para encontrar uma camisa e se fazer apresentável. Ela pigarreou e se virou lentamente. “Eu vim lhe pedir...” Ele continuava seminu. Ele não havia usado aquele tempo para se fazer apresentável. Colin aproveitou a oportunidade para se servir de uma bebida. Ele estava de perfil e fazia caretas para uma taça de vinho, como se avaliasse sua limpeza. “Vinho?”, ofereceu ele. Minerva negou com a cabeça. Graças ao exibicionismo indecente dele, um rubor violento se espalhou por sua pele e subiu pelo pescoço, pelas faces e pelo couro cabeludo. Ela não precisava jogar vinho nas chamas. Enquanto Colin se servia, ela não conseguiu evitar admirar aquele corpo musculoso e definido, tão bem delineado pela luz do fogo. Minerva tinha se acostumado a pensar nele como um demônio, mas Colin possuía o corpo de um deus. Um deus menor. Seu físico não era pesado, supermusculoso, como Zeus ou Poseidon; estava mais para um esguio e atlético Apolo ou Mercúrio. Um corpo feito não para o combate, mas para a caça. Não para ser lenhador, mas corredor. Não para dominar náiades desavisadas nos rios em que se banhavam, mas para... seduzir. Ele ergueu os olhos. Minerva desviou os seus. “Sinto muito ter acordado você”, disse ela. “Você não me acordou.” “Verdade?”, Minerva franziu a testa. “Então... pelo tempo que você demorou para atender a porta, poderia ter vestido alguma roupa.” Com um sorriso diabólico, ele indicou as calças. “Eu vesti.” Ora... O rosto de Minerva pegou fogo. Ela se deixou cair na poltrona, desejando desaparecer em meio às costuras. Pelo amor de Deus, Minerva, controle-se. O futuro de Diana está em jogo. Deixando o vinho sobre a mesa, Colin se aproximou de uma das estantes de madeira que pareciam lhe servir de guarda-roupa. Ao lado, uma fileira de ganchos sustentava seus casacos. Um vermelho, de oficial, para a milícia local que ele comandava na ausência do Conde de Rycliff; alguns casacos refinados, que aparentavam ser escandalosamente caros, feitos em Londres, e um sobretudo longo de lã cinza. Ele passou por tudo isso e pegou uma camisa simples, que enfiou pela cabeça. Depois de passar os braços pelas mangas, Colin os estendeu para a apreciação de Minerva. “Melhor assim?” Não muito. O decote da camisa ainda exibia fartamente seu peito, só que fazia uma insinuação sensual em vez de oferecer uma vista frontal. Se algo tinha mudado? Sim, ele estava mais indecente. Ele estava menos um deus esculpido e intocável e mais um rei pirata depravado. “Tome.” Ele pegou o sobretudo cinza no gancho e o levou até ela. “Está seco, pelo menos.” Depois de ajeitar o casaco no colo dela, Colin colocou a taça de vinho em sua mão. Um anel de sinete faiscou em seu dedo mínimo, brilhando dourado através do pé da taça. “Sem discussão. Você está tremendo tanto que posso ouvir seus dentes batendo. O fogo e o casaco ajudam, mas não esquentam você por dentro.” Minerva aceitou a taça e tomou um gole hesitante. Seus dedos realmente tremiam, mas não totalmente por causa do frio. Ele puxou um banco, se sentou e fixou nela um olhar de interrogação. “Então...” “Então”, ecoou ela, como uma tola. A mãe dela tinha razão quanto a isso. Minerva se considerava uma pessoa razoavelmente inteligente, mas Santo Deus... homens bonitos a imbecilizavam. Ela ficava tão desorientada perto deles; nunca sabia para onde olhar ou o que dizer. Suas respostas, que deveriam ser inteligentes e espirituosas, acabavam saindo amargas ou patéticas. Às vezes, uma observação provocadora de Lorde Payne a deixava totalmente em silêncio. Somente dias depois, enquanto espancava a face de uma falésia com seu martelo de geóloga, a resposta perfeita pipocava em sua cabeça. Era notável. Quanto mais ela olhava para ele, mais podia sentir sua inteligência diminuindo. A barba de um dia por fazer servia para enfatizar as linhas fortes de seu maxilar. O cabelo castanho despenteado acrescentava um toque maroto. E aqueles olhos... os olhos dele pareciam diamantes Bristol. Geodos pequenos e redondos, polidos até brilharem. Um anel externo de rocha castanha envolvido por pedras de quartzo. Uma centena de tons cristalinos de âmbar e cinza. Minerva fechou os olhos, apertando-os com força. Chega de tremer. “Você tem a intenção de se casar com minha irmã?” Segundos se passaram. “Qual delas?” “Diana”, exclamou Minerva. “Diana, é óbvio. Charlotte tem apenas quinze anos.” Colin deu de ombros. “Alguns homens gostam de uma noiva jovem.” “E outros são totalmente contra o casamento. Você me disse que era um deles.” “Eu disse isso para você? Quando?” “Você deve se lembrar. Aquela noite...” Ele a encarou, confuso. “Nós tivemos ‘uma noite’?” “Não como você está pensando.” Meses antes, ela confrontou Lorde Payne nos jardins de Summerfield a respeito das indiscrições escandalosas e das intenções dele para com sua irmã. Eles se enfrentaram. Então, de algum modo se enroscaram – fisicamente – até que alguns insultos conseguiram separá-los. Maldita fosse sua disposição científica, incansavelmente observadora. Minerva se ressentia dos detalhes que observou naqueles momentos. Ela não precisava saber que o botão do colete de Lorde Payne se alinhava perfeitamente com sua quinta vértebra, ou que ele exalava suavemente a couro e cravo. Mas mesmo naquele momento, meses depois, ela não conseguia se livrar daquela informação. Principalmente quando estava aninhada no sobretudo dele, envolta por seu calor e pelo mesmo apimentado aroma, masculino. Naturalmente, ele havia se esquecido por completo daquele encontro. Não era de se surpreender. Na maioria das vezes ele nem se lembrava do nome de Minerva. Se falava alguma coisa com ela, era apenas para provocá-la. “No verão passado”, ela o lembrou, “você me disse que não tinha qualquer intenção de pedir a mão de Diana. Ou de qualquer mulher. Mas hoje a fofoca na vila diz outra coisa.” “É mesmo?” Ele virou o anel de sinete. “Bem, sua irmã é linda e elegante. E sua mãe não faz segredo de que gostaria desse casamento.” Minerva contraiu os dedos do pé dentro das botas. “Para dizer o mínimo”, disse ela. No ano anterior, as mulheres Highwood chegaram àquela vila litorânea para as férias de verão. Elas imaginaram que o ar marítimo poderia melhorar a saúde de Diana. Bem, fazia tempo que o verão havia passado e a saúde dela melhorado, mas ainda assim as Highwood permaneciam ali, devido à esperança de sua mãe em um casamento entre Diana e aquele visconde charmoso. Então, enquanto Lorde Payne continuasse em Spindle Cove, a mãe delas não queria nem ouvir falar de voltar para casa. Ela havia desenvolvido um otimismo que lhe era pouco característico; a cada manhã, enquanto mexia seu chocolate quente, ela declarava: “Eu posso sentir, garotas. Hoje ele vai me pedir a mão de Diana em casamento.” Ainda que Minerva soubesse que Lorde Payne era um homem do pior tipo, nunca teve coragem de manifestar sua contrariedade, porque ela amava Spindle Cove. Ela não queria ir embora. Pela primeira vez ela se sentia... em casa. Ali, no seu paraíso pessoal, ela explorava o relevo rochoso, repleto de fósseis, livre de preocupações ou censuras, catalogando descobertas que deixariam alvoroçada a comunidade científica da Inglaterra. A única coisa que a impedia de ser completamente feliz era a presença de Lorde Payne – e por meio de uma dessas estranhas ironias da vida, era a presença dele que lhe permitia ficar em Spindle Cove. Parecia não haver problema em deixar que sua mãe nutrisse esperanças de receber um pedido por parte do lorde. Mas Minerva sabia, com certeza, que essa proposta não viria. Até aquela manhã, quando sua certeza se desfez. “Esta manhã, eu estava na loja Tem de Tudo”, começou ela, “e normalmente ignoro as fofocas de Sally Bright, mas hoje...” Ela engoliu em seco, e então encarou Lorde Payne. “Ela disse que você deu instruções para que sua correspondência fosse direcionada para Londres após a próxima semana. Ela acredita que você irá embora de Spindle Cove.” “E com isso você concluiu que pretendo me casar com sua irmã.” “Ora, todo mundo sabe qual é sua situação. Se você tivesse dois xelins no bolso teria partido meses atrás. Você está preso aqui até sua fortuna ser liberada no seu aniversário, a menos que...” Ela engoliu em seco novamente. “A menos que se case primeiro.” “Tudo isso é verdade.” Sentada na poltrona, Minerva se inclinou para a frente. “Vou embora daqui num piscar de olhos”, disse Minerva, “se você repetir as palavras que me disse no verão passado, que não tem intenção de se casar com Diana.” “Mas isso foi no verão passado. Estamos em abril, agora. É tão inconcebível que eu tenha mudado de ideia?” “É!” “Por quê?” Ele estalou os dedos. “Eu sei! Você acha que eu não tenho ideias, para poder muda-las. É isso?” Ela se ajeitou na ponta da cadeira. “Você não pode mudar de ideia porque você não mudou. Você é um libertino hipócrita, traiçoeiro, que flerta com jovens inocentes de dia e pega mulheres casadas à noite.” Ele suspirou. “Escute, Miranda. Desde que Fiona Lange foi embora da vila, eu não...” Minerva ergueu a mão. Ela não queria ouvir a respeito do caso dele com a Sra. Lange. Ela ouviu mais que o suficiente da própria mulher, que se imaginava uma poetisa. Minerva queria poder tirar da cabeça aqueles poemas. Versos entusiasmados e obscenos que esgotaram todas as possibilidades de rima para “palpitação” e “êxtase”. “Você não pode se casar com minha irmã”, disse Minerva, desejando que sua voz parecesse firme. “Eu simplesmente não vou permitir.” Como sua mãe tanto gostava de dizer para quem estivesse disposto a escutar, Diana Highwood era exatamente o tipo de jovem que poderia conquistar um belo lorde. Mas a beleza externa de Diana não era nada se comparada a sua doçura, generosidade e, principalmente, a coragem com que enfrentou a doença durante toda sua vida. Sem dúvidas, Diana poderia conquistar um visconde. Mas ela não deveria se casar com aquele. “Você não a merece”, disse Minerva para Lorde Payne. “É verdade. Mas nenhum de nós consegue o que realmente merece nesta vida. Se não, como Deus se divertiria?” Ele pegou a taça da mão dela e tomou um belo gole de vinho. “Ela não ama você.” “Ela não me detesta. Amor não é tão necessário.” Inclinando-se para a frente, ele apoiou o braço no joelho. “Diana é educada demais para recusar e sua mãe ficaria muito feliz. Meu primo enviaria a licença especial em um instante. Se nos casássemos esta semana, no domingo você já poderia me chamar de ‘irmão’.” Não. Todo o corpo dela rejeitou a ideia. Cada milímetro. Jogando o casaco emprestado longe, ela se pôs de pé em um pulo e começou a andar de um lado para outro sobre o tapete. As dobras molhadas de sua saia enroscavam nas pernas enquanto ela andava. “Isso não pode acontecer. Não vai acontecer. Não vai!” Um pequeno rosnado passou por seus dentes apertados. Ela cerrou os punhos. “Eu tenho vinte e duas libras que economizei da minha mesada. E mais alguns trocados. É seu, tudo seu, se prometer deixar Diana em paz.” “Vinte e duas libras?” Ele balançou a cabeça. “Seu sacrifício fraterno é tocante, mas essa quantia não vai me manter em Londres nem por uma semana. Não do jeito que eu vivo.” Ela mordeu o lábio. Minerva esperava por algo assim, mas ela avaliou que não faria mal tentar primeiro um suborno. Teria sido mais fácil se funcionasse. Ela inspirou profundamente e ergueu o queixo. Então, seria do modo mais difícil; sua última chance de dissuadir Lorde Payne. “Então fuja comigo.” Depois de um momento de choque, ele começou a rir. Minerva deixou as risadas de menosprezo passarem por ela e simplesmente esperou, de braços cruzados. “Bom Deus”, disse ele. “Você está falando sério?” “Completamente sério. Deixe Diana em paz e fuja comigo.” Ele esvaziou a taça de vinho e a colocou de lado, então pigarreou e disse: “Isso é muito corajoso de sua parte, minha querida. Oferecer-se para casar comigo no lugar da sua irmã. Mas na verdade eu...” “Meu nome é Minerva. Não sou sua querida. E você está maluco se pensa que algum dia eu me casaria com você.” “Mas pensei que você disse...” “Fugir comigo, sim. Casar com você?” Ela produziu um som de incredulidade com a garganta. “Por favor.” Ele piscou. “Posso ver que você ficou perplexo”, disse Minerva. “Oh, que ótimo. Eu teria admitido isso, mas sei o prazer que você tem em apontar minhas deficiências intelectuais.” Vasculhando os bolsos internos de sua capa, Minerva encontrou a cópia do jornal científico. Ela abriu na página de anúncios e o ergueu para que Colin pudesse ver. “Haverá um encontro da Sociedade Geológica Real no fim deste mês. Um simpósio. Se você concordar em ir comigo, minhas economias devem ser suficientes para financiar nossa viagem.” “Um simpósio de geologia.” Ele deu uma olhada no jornal. “Essa é sua escandalosa proposta noturna, que fez você se arrastar pela escuridão durante uma tempestade. Você vai me levar para um simpósio de geologia se eu deixar sua irmã em paz?” “O que você esperava que eu oferecesse? Sete noites de prazer carnal e total devassidão em sua cama?” Ela falou querendo fazer piada, mas ele não riu. Em vez disso, Colin examinou sua roupa molhada. Minerva ficou vermelha como um camarão. Maldição. Ela sempre dizia a coisa errada. “Acho essa oferta mais tentadora”, disse ele. Sério? Ela mordeu a língua para não dizer isso em voz alta. Que indigno admitir o quanto aquele comentário ...
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