Scarpetta - Patricia Cornwell.pdf - DADOS DE COPYRIGHT Sobre a obra A presente obra \u00e9 disponibilizada pela equipe Le Livros e seus diversos parceiros

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Unformatted text preview: DADOS DE COPYRIGHT Sobre a obra: A presente obra é disponibilizada pela equipe Le Livros e seus diversos parceiros, com o objetivo de oferecer conteúdo para uso parcial em pesquisas e estudos acadêmicos, bem como o simples teste da qualidade da obra, com o fim exclusivo de compra futura. É expressamente proibida e totalmente repudíavel a venda, aluguel, ou quaisquer uso comercial do presente conteúdo Sobre nós: O Le Livros e seus parceiros disponibilizam conteúdo de dominio publico e propriedade intelectual de forma totalmente gratuita, por acreditar que o conhecimento e a educação devem ser acessíveis e livres a toda e qualquer pessoa. Você pode encontrar mais obras em nosso site: LeLivros.link ou em qualquer um dos sites parceiros apresentados neste link. "Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais lutando por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir a um novo nível." O estado mental do louco pode ser descrito como um sonho desordenado de olhos abertos. — Montagu Lomax, As experiências de um médico de hospício, 1921 Para Ruth (1920-2007) E como sempre, com gratidão, para Staci 1 Pedaços de tecido cerebral se agarravam como fiapos de lã cinza molhados às mangas do jaleco da dra. Kay Scarpetta, cuja frente estava salpicada de sangue. Serras zumbiam, água escorria e pó de osso flutuava no ar como se fosse farinha. Três mesas estavam ocupadas. Havia mais corpos a caminho. Era terça-feira, dia 1º de janeiro, o primeiro dia do novo ano. Scarpetta não ia precisar apressar o departamento de toxicologia para saber que seu paciente havia bebido antes de puxar o gatilho da espingarda com o dedo do pé. No instante em que ela abrira o homem, detectara o cheiro pútrido e pungente que o álcool exala ao ser absorvido pelo corpo. Quando Scarpetta estava fazendo sua residência em patologia forense muitos anos antes, ela costumava se perguntar se um passeio pelo necrotério assustaria alguém que bebia demais a ponto de fazer com que largasse o vício. Se ela lhe mostrasse uma cabeça aberta como se fosse um ovo quente e deixasse que a pessoa sentisse o cheiro do champanhe num corpo morto, talvez passasse a pedir só Perri— er. Ah, se fosse assim tão fácil. Ela viu o subchefe do departamento, Jack Fielding, erguer o lustroso bloco de órgãos de dentro da cavidade torácica de uma estudante universitária que fora assaltada num caixa eletrônico e levara um tiro, e esperou pela explosão dele. Durante a reunião de funcionários daquela manhã, Fielding comentara, in— dignado, que a vítima tinha a mesma idade de sua filha, e que ambas eram campeãs de corrida e estudavam medicina. Nada de bom acontecia quando ele levava um caso para o lado pessoal. 7/474 “A gente não afia mais os bisturis?”, gritou Fielding. A lâmina oscilante de uma serra uivou, enquanto o assistente do necrotério abria um crânio e respondia, também aos gritos: “Parece que eu estou à toa?”. Fielding atirou o bisturi de volta no carrinho com um estrondo. “Como é que eu posso trabalhar nesta porra de lugar?” “Pelo amor de Deus, alguém dê um Xanax ou alguma coisa assim para esse cara.” O assistente do necrotério arrancou o tampo do crânio com um cinzel. Scarpetta colocou um pulmão sobre uma balança, usando uma caneta eletrônica para anotar o peso num palmtop. Não havia uma caneta esfero— gráfica, prancha ou folha de papel à vista. Quando ela subisse, só teria que passar para seu computador o que escrevera ou desenhara. Mas a tecnologia não tinha como ajudar com seu fluxo de pensamentos, e ela ainda os ditava após ter terminado tudo e tirado as luvas. Seu consultório era como o de um médico-legista moderno, acrescido daquilo que ela considerava essencial num mundo que não reconhecia mais, no qual o público acreditava em qualquer coisa “forense” que via na tv e a violência não era um problema social, mas uma guerra. Scarpetta começou a dividir o pulmão, notando que ele tinha o formato típico, com uma pleura visceral de superfície regular e lustrosa, e um parên— quima atelectásico vermelho-claro. Havia uma quantidade mínima de espuma rósea. Não havia nenhuma outra lesão visível a olho nu, e a parte vascular do pulmão estava normal. Ela fez uma pausa quando seu assistente administrativo, Bryce, apareceu, com um olhar em seu rosto jovem que misturava desdém e repulsa. Ele não tinha nojo do que acontecia ali, só ficava ofendido pelos mesmos motivos que qualquer um poderia ficar. Bryce pegou diversas toalhas de papel de um porta-toalhas. Cobrindo a mão, ele pegou o fone de um aparelho preto preso à parede, onde o botão de uma das linhas estava piscando. “Benton, você ainda está aí?”, ele disse ao telefone. “Ela está bem aqui, segurando uma faca enorme. Imagino que já tenha anunciado os pratos do dia. A aluna da Tufts é a pior, a vida dela não valeu nem duzentas pratas. O cara era dos Bloods ou dos Crips, um merdinha desses de gangue, você precisa vê-lo no 8/474 vídeo da câmera de segurança. Está em todos os canais. Jack não devia estar nesse caso. Mas alguém me pergunta alguma coisa? Ele está quase tendo um an— eurisma. E o suicídio, é. O cara voltou do Iraque sem nenhum arranhão. Ele está ótimo. Tenha um Feliz Natal e uma boa vida.” Scarpetta tirou sua proteção de rosto. Ela arrancou as luvas manchadas de sangue e atirou-as numa lata de lixo hospitalar vermelho vivo. Lavou as mãos numa pia funda de aço. “O tempo está ruim aqui dentro e lá fora”, tagarelou Bryce para Benton, que não gostava de tagarelar. “A casa está cheia e ainda por cima Jack está deprimido e irritado, já mencionei isso? Acho que a gente devia ter uma conversa séria com ele. Quem sabe obrigá-lo a passar um fim de semana naquele hospital de Harvard onde você trabalha? Podemos ir todos como se fôssemos uma família, pedir um desconto…” Scarpetta pegou o fone das mãos dele, removeu as toalhas de papel e atirou-as no lixo. “Pare de implicar com Jack”, ela disse para Bryce. “Acho que ele está tomando esteroides de novo, e é por isso que anda tão rabugento.” Scarpetta virou as costas para ele e para todo o resto. “O que houve?”, ela disse para Benton. Eles haviam se falado de manhã. Se Benton estava ligando de novo poucas horas mais tarde, enquanto ela estava na sala de autópsia, não devia ser coisa boa. “Acho que temos um problema.” Benton dissera a mesma coisa na noite anterior, assim que ela chegara em casa vinda da cena do crime que ocorrera diante do caixa eletrônico e o encontrara vestindo o casaco, a caminho do aeroporto Logan para pegar um voo. A polícia de Nova York tinha um problema e precisava dele imediatamente. “Jaime Berger perguntou se você poderia vir para cá”, acrescentou Benton. Ouvir o nome daquela mulher sempre deixava Scarpetta tensa, causava— lhe um aperto no peito que não tinha nada a ver com a promotora de Nova York 9/474 em si. Berger sempre estaria ligada a um passado que Scarpetta preferia esquecer. “Quanto antes, melhor”, disse Benton. “Quem sabe o voo da uma da manhã?” Eram quase dez horas da noite no relógio da parede. Scarpetta teria que terminar aquele exame, tomar um banho e trocar de roupa, e queria passar em casa antes. Comida, ela pensou. Mozarela feita em casa, sopa de grão-de-bico, almôndegas, pão. O que mais? A ricota com manjericão fresco que Benton adorava colocar na pizza feita em casa. Ela preparara tudo aquilo e um pouco mais no dia anterior, sem ter ideia de que estava prestes a passar a virada do ano sozinha. Não teria nada para comer no apartamento deles em Nova York. Quando Benton estava sozinho, em geral pedia comida por telefone. “Venha direto para o Bellevue”, ele disse. “Pode deixar as malas no meu escritório. Estou com sua maleta de cena do crime pronta, esperando por você.” Scarpetta mal conseguia ouvi-lo devido ao raspar ritmado de um bisturi sendo afiado com movimentos longos e agressivos. O apito do interfone soou. Em cima do balcão, a televisão com a imagem da câmera de segurança mostrou um braço coberto por uma manga escura de camisa emergindo da janela do motorista de uma van branca, no momento em que o funcionário de um serviço de entrega apertava o botão. “Alguém pode abrir?”, pediu Scarpetta, falando o mais alto que podia. No andar reservado a prisioneiros do moderno Centro Hospitalar Bellevue, o fio delicado do fone de ouvido de Benton o conectava a sua esposa, que se encontrava a cerca de duzentos e cinquenta quilômetros de distância. Ele explicou que, no fim da noite anterior, um homem fora internado na unidade de psiquiatria forense. “Berger quer que você examine os ferimentos dele.” “Ele foi acusado de quê?”, perguntou Scarpetta. 10/474 Ao fundo, Benton podia ouvir as vozes indistintas, o barulho do necrotério — ou o que ele ironicamente chamava de “local de desconstrução”. “De nada, por enquanto”, ele disse. “Uma pessoa foi morta ontem à noite. De uma forma incomum.” Benton bateu na tecla da seta para baixo, fazendo subir o que estava na tela de seu computador. “Você quer dizer que não há mandado judicial para o exame?” Scarpetta respondeu na velocidade do som. “Ainda não. Mas ele precisa ser examinado agora.” “Ele já devia ter sido examinado. No minuto que foi internado. Se havia alguma prova vestigial em seu corpo, a essa altura provavelmente ela já está contaminada ou perdida.” Benton continuava batendo na seta para baixo, relendo o que estava na tela, perguntando-se como faria para abordar o assunto com ela. Pelo tom de voz de Scarpetta, percebeu que ela ainda não sabia de nada e rezou para que ninguém lhe contasse antes dele. Benton achava bom o fato de que Lucy Far— inelli, a sobrinha de Scarpetta, tivesse acatado a vontade dele e o deixasse lidar com aquilo. Não que ele estivesse indo muito bem até ali. Jaime Berger parecera estritamente profissional quando ligara para Benton alguns minutos antes e, pelo que ele deduzira, ela ainda não sabia da fofoca maldosa que estava circulando pela internet. Benton não sabia bem por que não dissera nada para ela quando tivera a chance. Mas não dissera, e deveria ter dito. Deveria ter sido honesto com Berger há muito tempo. Deveria ter explicado tudo para ela quase seis meses antes. “Os ferimentos dele são superficiais”, disse Benton para Scarpetta. “Ele está em isolamento, se recusa a falar, se recusa a cooperar, a não ser que você venha. Berger não quer que ninguém o coaja a fazer nada, e decidiu que o exame podia esperar até que você chegasse. Como é o que ele quer…” “Desde quando o que o prisioneiro quer importa?” “Relações públicas, motivos políticos… E ele não é um prisioneiro, não que alguém seja considerado um prisioneiro depois que é internado aqui. Eles são 11/474 pacientes.” Benton achou seu discurso incoerente, como se estivesse saindo da boca de outra pessoa. “Como eu disse, ele não foi acusado de crime nenhum. Não tem mandado. Não tem nada. É basicamente uma internação civil. Nós não podemos obrigá-lo a ficar aqui pelo mínimo de setenta e duas horas, porque ele não assinou um formulário de consentimento e, como eu disse, não foi acusado de nenhum crime, pelo menos não por enquanto. Talvez isso mude depois que você o examinar. Mas, neste momento, ele pode ir embora quando quiser.” “Você está esperando que eu encontre alguma coisa que vai dar à polícia evidência suficiente para acusá-lo de assassinato? E o que você quis dizer quando falou que ele não assinou… Espere aí. Esse paciente se internou numa ala para prisioneiros com a condição de poder sair a hora que quiser?” “Eu explico melhor quando você chegar. Não estou esperando que você encontre nada. Sem expectativas, Kay. Só estou pedindo que venha, pois é uma situação muito complicada. E Berger quer muito que você venha.” “Apesar da possibilidade do prisioneiro já ter ido embora quando eu chegar.” Benton detectou a pergunta que ela não ia fazer. Ele não estava agindo como o psicólogo forense imperturbável que Scarpetta conhecia havia vinte anos, mas ela não ia mencionar isso. Ela estava no necrotério, e não estava sozinha. Não ia perguntar que diabos havia com ele. Benton disse: “Ele definitivamente não vai embora antes de você chegar”. “Eu não entendi por que ele está aí.” Ela não ia deixar aquilo passar. “Não temos certeza. Resumindo: quando a polícia chegou, ele insistiu em ser trazido para o Bellevue…” “Qual o nome dele?” “Oscar Bane. Ele disse que não ia permitir que qualquer outra pessoa além de mim fizesse a avaliação psicológica. Então fui chamado e, como você sabe, vim imediatamente para Nova York. Ele tem medo de médicos. Tem ataques de pânico.” “Como ele sabia quem você era?” “Ele sabe quem você é.” 12/474 “Ele sabe quem eu sou?” “A polícia ficou com as roupas dele, mas ele diz que, se quiserem coletar qualquer prova física — e não há mandado judicial, como eu continuo enfatiz— ando —, é você que terá que fazer. Estávamos esperando que ele se acalmasse, que concordasse em deixar que um médico local o examinasse. Impossível. Ele está mais determinado do que nunca. Diz que tem pavor de médicos. Tem odinofobia, disabiliofobia.” “Ele tem medo de dor e de tirar a roupa?” “E caliginefobia. Medo de mulheres bonitas.” “Entendo. Por isso ele vai se sentir bem comigo.” “Essa parte era para ser engraçada. Ele acha você linda e definitivamente não tem medo de você. Sou eu que devia estar com medo.” Era verdade. Benton não queria que ela fosse para o hospital. Não queria nem que ela fosse para Nova York naquele momento. “Deixe-me ver se eu entendi. Jaime Berger quer que eu vá para aí no meio de uma tempestade de neve e examine um paciente que está numa ala para prisioneiros, mas que não foi acusado de nenhum crime…” “Se você conseguir sair de Boston, vai ver que o tempo está ótimo aqui. Só está frio.” Benton olhou pela janela e viu um mundo todo cinza. “Preciso terminar de examinar meu sargento da reserva do Exército que morreu no Iraque, mas só descobriu quando chegou em casa. Vejo você no meio da tarde”, ela disse. “Bom voo. Eu te amo.” Benton desligou e voltou a bater na seta para baixo e depois na seta para cima, lendo e relendo, como se, com a leitura contínua, a coluna de fofocas deixasse de ser tão ofensiva, tão feia, tão odiosa. “Palavras não me atingem”, dizia Scarpetta sempre. Talvez isso fosse verdade no colégio, mas não na vida adulta. Palavras podiam machucar. Muito. Que tipo de monstro escreveria algo assim? Como ele descobrira? Benton pegou o telefone. 13/474 Scarpetta prestava pouca atenção em Bryce enquanto ele a levava de carro ao aeroporto internacional Logan. Ele falava sem parar nisso ou naquilo desde que a pegara em casa. Basicamente, Bryce estava reclamando do dr. Jack Fielding, dizendo para ela mais uma vez que uma pessoa voltar ao passado era como um cachorro comer o próprio vômito. Ou como a mulher de Ló, que olhou para trás e virou uma estátua de sal. As analogias bíblicas de Bryce eram infindáveis, irritantes e nada tinham a ver com suas crenças religiosas, se é que ele tinha alguma, mas eram pérolas que haviam sobrado de um trabalho da faculdade que ele fizera sobre a Bíblia como literatura. O que seu assistente administrativo estava tentando dizer era que não se deve contratar pessoas do seu passado. Fielding era do passado de Scarpetta. Ele tinha problemas, mas quem não tem? Quando ela aceitara aquele cargo em Boston e começara a procurar por um subchefe de departamento, perguntara-se o que Fielding andaria fazendo, encontrara-o e descobrira que ele não estava fazendo muita coisa. A opinião de Benton fora estranhamente anódina, chegando até a ser con— descendente, o que fazia mais sentido para Scarpetta agora. Ele dissera que ela estava procurando estabilidade, e que muitas vezes as pessoas caminham para trás em vez de para a frente quando estão passando por mudanças demais. Sentir vontade de contratar alguém que ela conhecia desde o início da carreira era compreensível, dissera Benton. Mas o perigo de olhar para trás era que só víamos o que queríamos ver, ele acrescentara. Víamos o que fazia com que nos sentíssemos seguros. O que Benton escolhera ignorar era por que Scarpetta precisava se sentir segura. Seu marido não quisera nem tocar no assunto de como ela realmente se sentia em relação à vida doméstica que levava com ele, que era tão caótica e dissonante quanto sempre fora. Desde que o relacionamento deles começara, há mais de quinze anos, com um caso extraconjugal, os dois jamais haviam morado no mesmo lugar, jamais haviam conhecido o significado da convivência diária — 14/474 até o verão anterior. O casamento fora uma cerimônia muito simples, no jardim atrás da casa de Scarpetta em Charleston, na Carolina do Sul, onde ela acabara de abrir um consultório próprio que então fora forçada a fechar. Depois eles se mudaram para Belmont, Massachusetts, para ficar perto do hospital psiquiátrico onde Benton trabalhava, o McLean, e perto da cidade de Watertown, onde Scarpetta aceitara trabalhar como médica-legista chefe da região nordeste do Estado. Como a cidade não era longe de Nova York, ela achou ótima ideia os dois aceitarem o convite da Faculdade John Jay de Justiça Criminal para serem professores visitantes, o que incluía oferecer consultoria de graça à polícia de Nova York, ao Departamento Médico Legal da cidade e a unidades de psiquiatria forense como aquela de Bellevue. “… Eu sei que esse não é o tipo de coisa que você lê e que talvez nem considere isso preocupante mas, mesmo correndo o risco de lhe irritar, preciso comentar.” A voz de Bryce penetrou os pensamentos de Scarpetta. Ela disse: “O que não é preocupante?”. “Ah, não precisa prestar atenção em mim. Estou só aqui, falando sozinho.” “Desculpe. Volte a fita.” “Eu não disse nada depois da reunião dos funcionários porque não quis tirar sua atenção de toda a merda que estava acontecendo esta manhã. Achei que era melhor esperar você acabar e aí a gente poderia ter um tête-à-tête com a porta fechada. E, como ninguém disse nada para mim, acho que eles não viram. O que é bom, certo? Como se Jack já não estivesse irritado o suficiente esta manhã. Bom, mas ele sempre está irritado, e é por isso que tem eczemas e alopecia. E, vem cá, você viu aquela ferida atrás da orelha direita dele? Passar o Natal com a família. É maravilhoso para os nervos.” “Quantas xícaras de café você tomou hoje?” “Por que o problema é sempre comigo? Sou só o mensageiro. Você fica viajando até que aquilo que estou tentando dizer atinge a massa crítica, e aí bum! Sou o vilão, adeus mensageiro. Se você for passar mais de uma noite em Nova York, por favor, me diga para eu pedir o serviço de roaming no celular. 15/474 Devo marcar algumas aulas com aquele personal trainer que você gosta tanto? Qual o nome dele?” Bryce pensou, colocando um dos dedos sobre os lábios. “Kit”, ele mesmo respondeu. “Quem sabe um dia desses, quando você precisar do seu fiel trabalhador em Nova York, ele possa dar um jeito em mim. Estou com um pneuzinho.” Bryce apertou a própria cintura. “Mas ouvi dizer que depois dos trinta só a lipo dá jeito”, ele disse. “Posso falar a verdade?” Bryce olhou para Scarpetta, com as mãos gesticulando tanto que pareciam estar vivas e não fazer parte de seu corpo. “Procurei o cara na internet”, ele confessou. “Fico espantado que Benton o deixe chegar perto de você. Ele lembra aquele ator, como é o nome dele, que fez Queer as Folk? O jogador de futebol americano… Ele tinha um Hummer e era completamente homofóbico até ficar com Emmett, que todo mundo dizia ser a minha cara, ou o contrário, já que ele é famoso e eu não. Bom, você nunca deve ter visto essa série.” Scarpetta disse: “Não culpe o mensageiro por quê? E, por favor, mantenha pelo menos uma das mãos no volante, já que a gente está atravessando uma tempestade. Quantos refis você pegou no Starbucks esta manhã? Vi dois copos de isopor na sua mesa. Espero que não sejam desta manhã. Lembra nossa conversa sobre cafeína? Sobre como ela é uma droga e por isso vicia?”. “É tudo sobre você”, continuou Bryce. “O que eu nunca vi antes. É muito esquisito. Em geral é mais de um famoso, entende? Porque, seja que...
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