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Burke - Historia como alegoria

Burke - Historia como alegoria - Histria como alegoria...

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E STUDOS A VANÇADOS 9 (25), 1995 197 ESTE ARTIGO , trata-se de um fenômeno recorrente na história da escrita da História, que parece não ter recebido a atenção que certamente merece, e que é a percepção e representação de um evento ou de um indivíduo do passado em forma de outro evento ou outro indivíduo. O estudo focaliza as diferentes circunstâncias nas quais se tecem comentários a respeito de um evento (usualmente no passado) quando os comentadores estão, na realidade, ou mais intensamente, interessados em outro (usualmente no presente). O principal ob- jetivo do estudo refere-se a obras de História, mas é fato ser impossível isolar tais produções de outras narrativas ou mesmo representações visuais do passado. Na verdade, o modo mais direto de penetrar no assunto é comentar algumas imagens. O primeiro exemplo é bem conhecido. Vem da série de afrescos do Vaticano, pintados por Rafael e seus assistentes, representando os papas Leão III e Leão IV . Leão III está coroando Carlos Magno, enquanto Leão IV está agradecendo a Deus pela vitória sobre os sarracenos. A ambos os papas foram imprimidas as feições de Leão X , que encomendou os afrescos. O nome Leão e o inconfundível rosto cheio e olhos saltados tornam os paralelos inusitadamente explícitos . Em certo sentido, portanto, Leão III e Leão IV devem representar Leão X . O observa- dor certamente tem o direito de suspeitar que as histórias pictóricas de Carlos V e sarracenos são alegorias das relações de Leão X com o Imperador Carlos V e Império Otomano (Jones & Penny, 1983:150). O discípulo de Rafael, Perino del Vaga, deu prosseguimento à série, pintando afrescos semelhantes no Castelo de Sant’Angelo, representando o Papa Paulo III, anteriormente Alessandro Farnese, como São Paulo e como Alexandre, o Grande (Harprath, 1981). Certamente, há muitos outros exemplos do que os historiadores da arte chamam de retratos alegóricos ou retratos de identificação (Polleross, 1988). O segundo exemplo é mais exótico, mas também pertence a uma bem- conhecida classe de imagens. Trata-se de outro afresco, desta vez do fim do século XVI , num mosteiro da Moldávia (Sucevita, para ser exato), mostrando os israelitas atravessando o Mar Vermelho. As tropas do Faraó, em perseguição, estão usando uniformes poloneses. Isto poderia ser nada mais que um anacronismo tradicional de uma parte da Europa, onde a Renascença e o sentido renascentista do passado não haviam ainda penetrado muito profundamente (Burke, 1969). História como alegoria P ETER B URKE N
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198 E STUDOS A VANÇADOS 9 (25), 1995 Contudo, é também possível (provável mesmo), que o artista estivesse fazendo uma afirmação política, salientando um tópico. A pintura data aproxi- madamente do tempo de Miguel, o Corajoso, príncipe de Moldávia e Wallachia, um líder cuja bravura foi exibida nas batalhas com os poloneses. A pintura nos sugere claramente que Miguel está do lado de Deus e pode mesmo sugerir que os moldavos são o povo por Ele escolhido. Poder-se-ia compará-la com um qua-
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