Cunha_biancareli_prates_final - A Diplomacia do Yuan Fraco

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A Diplomacia do Yuan Fraco 1 André Moreira Cunha 2 , André Martins Biancareli 3 e Daniela Magalhães Prates 4 Introdução Nesse início de século XXI, o intenso movimento das placas tectônicas da geopolítica e da geoeconomia nos autoriza questionar se as teses sobre o “fim da história” não foram, no mínimo, precipitadas. Ao invés da afirmação da emergência de uma ordem liberal – política e econômica – sob a liderança inconteste dos Estados Unidos 5 (EUA, de agora em diante), se está assistindo à emergência de uma realidade global bem mais complexa, onde poderes emergentes aspiram a um maior espaço na determinação dos vetores fundamentais que, desde hoje, estão moldando o futuro (Fiori, 2004). Em especial, a impressionante trajetória de crescimento econômico da China traz importantes desafios tanto para a potência hegemônica, quanto para os demais países do centro e da periferia capitalista. Na perspectiva chinesa, expressa pelo governo e por acadêmicos, haveria uma opção pela “ascensão pacífica” 6 à condição de grande potência (Bijian, 2005, Mahbubani, 2005, Zweig e Jianhai, 2005). A economia, ancorada por uma política externa cada vez mais ativa, daria a base de sustentação da trajetória de “retomada” de um papel de maior protagonismo do país na arena internacional. Trata-se, portanto, de uma estratégia política de longo prazo, na qual a adesão aos mecanismos de mercado para regular parcelas crescentes do mundo da produção e distribuição da riqueza é um instrumento do objetivo maior da modernização chinesa (Saich, 2004, Woo, 2005), e não um fim em si mesmo determinado pela adesão a uma pretensa (e definitiva) ordem liberal do mundo pós-guerra fria. O sucesso da estratégia chinesa contrasta com as experiências frustradas de big bang na transição das economias de planejamento central do antigo bloco soviético ou de implementação do Consenso de Washington na América Latina (Rodrik, 2005). Nesses dois casos, a substituição de modelos de modernização fortemente centrados no papel do Estado como promotor do crescimento por modelos baseados no binômio “abertura-desregulamentação” 1 Versão atualizada (dezembro de 2006) do trabalho apresentado no XII Encontro Nacional de Economia Política, Vitória, junho de 2006. O título inspirado da análise clássica da Profa. Maria da Conceição Tavares sobre a importância da política de reafirmação do dólar para a “retomada” da hegemonia norte-americana. 2 Professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Pesquisador do CNPq. E- mail:amcunha@hotmail.com. Agradeço ao apoio de pesquisa do bolsista PIBIC-CNPq, Henrique B. Renck. 3
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This note was uploaded on 09/25/2010 for the course ECO IntEco taught by Professor Andre during the Spring '06 term at UFRGS.

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