HIST\u00d3RIA-DO-CEARA-IFCE-2018-C\u00f3pia.pdf - HIST\u00d3RIA DO CEAR\u00c1 1 HISTORIOGRAFIA Apesar das dificuldades de pesquisa e de publica\u00e7\u00e3o a historiografia

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Unformatted text preview: HISTÓRIA DO CEARÁ 1 HISTORIOGRAFIA Apesar das dificuldades de pesquisa e de publicação, a historiografia cearense apresenta uma significativa produção, cada vez mais consolidada e em expansão neste início de século. Excetuando-se as obras mais gerais e aquelas produzidas por cronistas, viajantes e brazilianists, posso, apesar (mais uma vez) dos riscos comuns a generalizações, distinguir três gerações na historiografia cearense. Em rigor, a historiografia cearense iniciou-se em meados do século XIX, com os trabalhos pioneiros de Tristão de Alencar Araripe, autor de História da Província do Ceará (1850); Thomaz Pompeu de Sousa Brasil, autor de Ensaio Estatístico da Província do Ceará (1863); do jornalista João Brígido, com Resumo Cronológico para a História do Ceará (1864) e Pedro Theberge, com Esboço Histórico sobre a Província do Ceará (1869). Obviamente, não se tratavam de profissionais da história, tal como entendemos hoje, mas intelectuais que, revirando arquivos cartorários e de câmaras municipais, preocuparam-se em produzir algo sobre o passado destas terras, dentro de uma matriz historiográfica positivista, segundo a qual seria possível conhecer a verdade dos fatos e produzir uma história objetiva e imparcial, centrando a atenção na política, nos confrontos e na trajetória dos grandes homens, ou seja, o histórico havia de rimar com o heroico. Uma segunda geração de historiadores surgiu com a fundação do Instituto do Ceará, em 1887, sob a liderança de Guilherme (Barão de) Studart, que conseguiu recolher milhares de documentos no Ceará e em arquivos nacionais e internacionais, ensejando a publicação de vários artigos na centenária Revista do Instituto do Ceará. Também com uma perspectiva positivista, e vistos com certo preconceito hoje em dia por determinados setores acadêmicos, os institutos históricos têm sua importância na coleta e sistematização da documentação histórica, em levantamentos geográficos e em estudos etnográficos e linguísticos. Foram responsáveis pela produção de um saber numa época em que a história reivindicava um status científico, fundamentando em sólida pesquisa documental – essa produção, note-se, não pode ser dissociada do esforço da construção da ideia de nação brasileira na segunda metade do século XIX, quando buscava-se no passado exemplos e argumentos que apontassem o “caminho glorioso” destinado ao Brasil. Tais pesquisadores não possuíam, igualmente, nenhuma formação específica no campo da historiografia, eram o que os franceses chamam de “historiador dos domingos”. Eram, no geral, integrantes da elite que ocupavam altos postos na burocracia estatal e políticos de renome que se dedicavam com afinco aos projetos de seus institutos. Assim, temos nomes, afora o Barão de Studart (autor de Datas e Fatos para a História do Ceará – 1896), como Paulino Nogueira (Presidentes do Ceará durante a Monarquia), Joaquim Catunda (Estudos de História do Ceará – 1886) e Antônio Bezerra (Algumas Origens do Ceará – 1901). A partir da década de 1920, uma nova leva de pesquisadores adentrou no Instituto, sobressaindo-se Thomaz Pompeu Sobrinho (Pré-história Cearense – 1955), Eusébio de Sousa (História Militar do Ceará – 1950), Carlos Studart Filho (Os Aborígines do Ceará – 1962) Dolor Barreira (História da Literatura Cearense – 1962), José Aurélio Saraiva Câmara (Fatos e Documentos do Ceará Provincial – 1970) e, principalmente, Raimundo Girão, um dos mais respeitados intelectuais cearenses do século XX e autor de obras como História Econômica do Ceará (1947), Pequena História do Ceará (1953), Matias Beck, Fundador de Fortaleza (1961), entre várias outras. Não podem ser esquecidos os trabalhos de Geraldo Nobre, Florival Seraine, Mozart Soriano Aderaldo, Vinicius Barros Leal, Abelardo Montenegro, Renato Braga, e outros tantos. O Instituto continua 2 ainda na ativa, e sua famosa revista foi disponibilizada na internet . Em 1947, surgia a Faculdade Católica de Filosofia do Ceará, mantida pelos Irmãos Maristas, com um curso de História. Tal faculdade seria, em 1966, encampada pelo governo estadual, com o nome de Faculdade de Filosofia do Ceará (FAFICE). Esta seria uma das bases para a criação da Universidade Estadual do Ceará, UECE, em 1975. Anos antes, em 1955, surgira a Universidade (Federal) do Ceará e, em 1972, era criado o Curso de História. Assim, estruturava-se uma produção mais elaborada do histórico saber local, difundindo-se e discutindo-se novas metodologias de pesquisa, diversificando as fontes e as abordagens. Novos trabalhos foram produzidos em consonância com variadas correntes historiográficas, sobretudo a marxista e, mais recentemente, a denominada Escola dos Annales e a História Social Inglesa, que, grosso modo, prega a ideia de uma “história vista de baixo”, na perspectiva dos vencidos e derrotados nas batalhas da memória – o que a coletividade lembra ou quer lembrar atende a perspectivas e interesses de determinados grupos, embora memórias subterrâneas continuem a existir, podendo emergir a qualquer momento, sobretudo em épocas de crises. Só entende-se história dentro de um contexto e tendo-se em mente que o modo como se vê o passado depende do que se pensa do presente e se espera do futuro. Assim, tem-se hoje uma história problema, atenta a todas as atividades humanas e não apenas à história política, uma história que busca a interdisciplinaridade (ou seja, mantém contato com a geografia, a linguística, a psicologia, a antropologia, a sociologia, etc.). Uma história que não tem a pretensão de achar a verdade, mas entender como as verdades de cada grupo são construídas e os interesses que os movem. Uma história que tem em fontes antes discriminadas, uma preciosidade: os jornais, as fotografias, a música, os contos populares, enfim, tudo pode ser usado pelo profissional de história para entender o passado e o presente de um povo. Nessa gama de historiadores, há nomes como Simone de Sousa, João Alfredo Montenegro, Francisco Moreira Ribeiro, Sebastião Rogério Ponte, Adelaíde Gonçalves, Francico Pinheiro, Frederico de Castro Neves, Ivone Cordeiro, Pedro Airton, e tantos outros. Tal processo de aperfeiçoamento da produção historiográfica foi intensificado com a criação do Curso de História na Universidade Estadual do Ceará (UECE) nos anos 1970, e dos Cursos de Mestrado da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da mesma UECE no início do século XXI, sem falar dos cursos de várias outras faculdades que surgiram no estado nos anos 1990, como as da Universidade Vale do Acaraú (UVA) e Universidade do Vale do Cariri (URCA). Recentemente foi criado o Doutorado em História na UFC. 3 UNIDADE 1 A CONQUISTA DO LITORAL CEARENSE O povoamento humano do atual território do Ceará começou há milhares de anos, conforme indicam as pesquisas arqueológicas. Há fósseis também no estado, alguns de dinossauros, anteriores à presença dos homens, evidenciando a evolução das espécies e as diferença de clima e vegetação do passado em relação ao presente. Existem igualmente restos de mamíferos gigantes que chegaram a conviver com humanos. REFERÊNCIAS VIANA, Verônica; LUNA, Daniel. Arqueologia Cearense. XIMENES, Celso Lira. A Paleontologia no Ceará. Fortaleza: Museu do Ceará, sd. ______. Animais pré-históricos de Itapipoca. Itapipoca: Secretaria de Cultura∕Museu de Préhistória, 2007. 1.1. O Quase Abandono do Siará O Ceará, como entendemos hoje só surgiu no século XIX. De inicio, o termo se referia à área em torno dos fortes no qual se realizaram as principais tentativas de conquista da terra. Se usamos a expressão Ceará para períodos anteriores, se referindo ao atual estado, o fazemos por razões didáticas. No século XVI, esse Siará ficou praticamente esquecido por Portugal, devido, sobretudo, à falta de grandes atrativos econômicos – não tinha ouro, prata, especiarias, etc., e suas riquezas (como sal, âmbar-gris, macacos, papagaios, etc.), não eram lá muito lucrativas. Prova do abandono cearense é que o primeiro donatário da capitania, Antônio Cardoso de Barros, nunca veio colonizar suas posses. A presença do espanhol Vicente Pinzón, em janeiro de 1500, para alguns autores, teria feito do Ceará o “verdadeiro” local do “descobrimento” do Brasil. Há muita controvérsia sobre isso. Foi apenas no século XVII que a Coroa decidiu colonizar o litoral cearense, por razões estratégico-militares: defender a faixa litorânea setentrional da América portuguesa contra estrangeiros (em particular, os franceses, que chegaram a fundar uma colônia no Maranhão – A “França Equinocial”) e criar no Ceará uma base de apoio logístico que facilitasse a conquista da região norte da colônia (daí a História do Ceará inicialmente girar em torno de “fortes”). 1.2. As Tentativas de Conquista A primeira tentativa oficial de colonizar do Ceará deu-se em 1603, com Pero Coelho. Na condição de capitão-mor, esse açoriano organizou uma expedição, cujo objetivo era explorar estas terras, combater piratas, fazer a paz com os índios e tentar encontrar metais preciosos. Após combater franceses e índios na Ibiapaba, Pero e seus homens instalaram-se nas margens do rio Ceará, onde foi erguido o Forte de São Tiago (a região foi batizada de Nova Lusitânia). Não encontrando riquezas na região, Pero passou a escravizar os índios. Como estes reagiram, Pero recuou e ergueu o Forte de 4 São Lourenço nas ribeiras do rio Jaguaribe. Mas, como as “hostilidades” indígenas continuavam, sofrendo os pesados efeitos da seca de 1605-07, Pero Coelho viu-se obrigado a deixar o Ceará, indo para o Rio Grande do Norte. A segunda tentativa de conquistar a terra cearense deu-se com os padres jesuítas Francisco Pinto e Luis Filgueira, em 1607. A catequização e colonização andavam juntas na América – aumentava-se o número de cristãos e garantia-se a posse da terra para a Coroa. Os dois religiosos fizeram praticamente o mesmo percurso de Pero Coelho, indo parar na Ibiapaba. Ali procuraram cristianizar os nativos. Mas os índios lembravam ainda dos maus tratos impostos por Pero Coelho. Assim, os nativos Tocariju atacaram os jesuítas e mataram Francisco Pinto. Luis Filgueira conseguiu escapar, indo para o Rio Grande do Norte. 1.3. Martim Soares Moreno Outra tentativa de conquista do Ceará deu-se com Martim Soares Moreno. A primeira vez que Moreno esteve no Ceará foi com a fracassada bandeira de Pero Coelho em 1603. Seis anos depois, em 1609, na condição de tenente do forte dos Reis Magos, base da atual cidade de Natal-RN, já dava combate a traficantes franceses no litoral cearense. Em 1611, com a ajuda de índios da região, chefiados por Jacaúna, Moreno fundou às margens do rio Ceará o Forte de S. Sebastião. No ano seguinte, apesar de suas pretensões colonizadoras, foi convocado para combater os franceses que haviam fundado a França Equinocial no Maranhão. Moreno só retornou ao Ceará em 1621, no cargo de capitão-mor. Encontrando o Forte de S. Sebastião praticamente destruído, reconstruiu o possível, também incentivando, sem muito êxito, a pecuária e a cana-de-açúcar. As faltas de recursos e da atenção da Coroa fizeram com que Moreno se retirasse do Ceará em 1631, dirigindo para Pernambuco, onde foi combater os holandeses que então invadiam a América portuguesa . Anos depois, regressou a Portugal, não vindo mais ao Ceará. Na visão tradicional, tem-se Moreno como “fundador” do Ceará – tanto que é homenageado pelo escritor José de Alencar no livro Iracema, obra de 1865. 1.4. Tempos Flamengos No ano de 1630, os holandeses invadem Pernambuco na pretensão de dominar a região açucareira e de encontrar outras riquezas. Assim, em 1637, tropas flamengas conquistam o forte cearense de São Sebastião. De início, contaram os holandeses com o apoio dos índios. Depois, contudo, a “aliança” se desfez, pois o holandês não se diferenciava do português no mau trato do índio. Revoltados, em 1644, os nativos atacaram e destruíram o fortim, trucidando os holandeses. Os flamengos retornam em 1649, sob o mando do capitão Matias Beck, em busca de minas de prata. Erguem no monte Marajaitiba, nas margens do riacho Pajeú, o forte de Schoonemborch, em torno do qual, depois, iria espontaneamente surgir a atual cidade de Fortaleza. Os holandeses ficam no Ceará até 1654, quando retiram-se em virtude de sua derrota em Pernambuco e expulsão do Brasil. Sob a liderança do capitão-mor Álvaro de Azevedo, os portugueses retomam a colonização e mudam o nome do forte para Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. Bom atentar que por esse período o “Siará” esteve submisso a outras entidades administrativas. Entre 1621 e 1656, foi gerenciado pelo Maranhão. De 1656 a 1799, esteve submetido a Pernambuco. Isso atrapalhou o crescimento material da capitania. 5 Por anos, o “Siará” dos invasores europeus estava restrito ao litoral. Isso, contudo, mudaria a partir da segunda metade do séc. XVII com a conquista dos sertões em função da pecuária. REFERÊNCIAS ESPINOLA, Rodolfo. Vicente Pinzon e a descoberta do Brasil. Rio de Janeiro: Topbooks Editora e Distribuidora de Livros Ltda, 2001. GIRAO, Raimundo. Pequena História do Ceará. Fortaleza: Imprensa Universitaria, 1971. KROMMEN, Rita. Mathias Beck e a Cia das Índias Ocidentais. Fortaleza: Casa de Jose de Alencar/UFC, 1997. MARTINS, Guilherme Saraiva. Entre o forte e a aldeia: estrategias de contato, negociacao e conflito entre europeus e indigenas no Ceara Holandes (1630 – 1654). Fortaleza: Dissertacao de Mestrado em Historia/UFC, 2010. POMPEU SOBRINHO, Thomas. CAMARA, Jose Aurelio; GIRAO, Raimundo. Três documentos do Ceará colonial. Colecao Historia e Cultura: Fortaleza, 1967. UNIDADE 2 A CONQUISTA DOS SERTÕES CEARENSES – A PECUÁRIA – A partir da segunda metade do século XVII, deu-se a conquista dos sertões cearenses, em função da pecuária, atividade inicialmente restrita ao litoral de Pernambuco e Bahia (Zona da Mata). Foram razões que possibilitaram a colonização do interior do “Siará” e do Nordeste: o crescimento populacional da região açucareira (onde inexistia terra para todos os habitantes), o aumento do número de rebanhos bovinos, dificultando ou dando prejuízos para o plantio da cana-de-açúcar (o gado era atividade complementar da cana – fornecia alimentos, força de tração, etc.) e o próprio incentivo do governo português com a Carta Régia de 1701, que proibia a criação de gado a menos de 10 léguas da costa (para que no litoral de Pernambuco e Bahia se priorizasse o cultivo da cana). A penetração e conquista dos sertões aconteceram por duas rotas: sertãode-fora, dominada por pernambucanos, vindos pelo litoral, e sertão-de-dentro, dominada por baianos. Tais rotas se confluíram no Ceará, com os colonos ocupando o litoral inicialmente e daí as ribeiras dos rios Jaguaribe e Acaraú. A terra era obtida através da requisição às autoridades de cartas de sesmarias, o que deu margem a formação dos latifúndios cearenses. Nesse processo de conquista, a grande vítima foi o índio – exterminado ou expulso para dar espaço aos currais de gado. Outras vezes, os índios eram jogados em aldeamentos, áreas onde eram construídas aldeias artificiais nas quais padres jesuítas os “catequizavam”, “civilizando-os”. O aldeamento também possuía uma função militar – dali, o índio “manso” era levado a combater os índios “selvagens”. Depois, muitas cidades se formaram em torno desses aldeamentos, como Caucaia (antigo aldeamento de N. S. de Caucaia, depois Soure), Pacajus (aldeamento de Paiacu, em seguida chamado monte-mor-velho, Guarani), Messejana (Paupina), Baturité (Monte Mor Novo), Iguatu (Telha), Crato (Miranda), Parangaba (Arronches), etc. Óbvio que os índios lutaram contra os invasores, como na “Guerra dos Bárbaros”, quando os nativos Janduim, Baiacu, Icó, Anacé, Quixelô, Jáguaribara, Acriú, Canindé, Tremembé, Cariri e outros lutaram por quase 50 anos 6 contra os conquistadores (final do século XVII e início do seguinte). Acabaram derrotados, massacrados ou escravizados. Os remanescentes indígenas que possui hoje o Ceará é o retrato do genocídio e do etnocídio dos quais foram vítimas. O grande símbolo associado aos sertões (ainda hoje) foi o vaqueiro – mestiço, branco pobre, negro livre ou escravo, índio submetido. Conhecedor da fauna e da flora, cuidava da fazenda quando da ausência do senhor. Não recebia salário – era pago no sistema de “quarteação”. Na quarteação, o vaqueiro, após trabalhar certo tempo na fazenda (geralmente 4 ou 5 anos), recebia uma cria de cada quatro nascidas anualmente. Assim, com o tempo, poderia o vaqueiro fundar uma fazenda por conta própria (daí por que a condição de vaqueiro era uma situação que muitos desejavam). Usou-se em menor número negro escravo na pecuária cearense, devido sobretudo ao o alto preço dos africanos (o Ceará sempre foi um local pobre) e à grande oferta de mão-de-obra sertaneja livre, barata e ociosa (as fazendas absorviam poucos braços e existia uma massa populacional “vagabundeando” pelo interior). Teria sido usada em maior escala o índio escravo. As fazendas tinham uma tendência à autonomia e autossuficiência –Ali imperava a vontade dos senhores proprietários, potentados. A baixa rentabilidade da pecuária ensejava o uso do couro para a fabricação de utensílios do dia-a-dia sertanejo – chapéus, roupas, bainhas de faca, botas, etc. Era a chamada “civilização do couro”. Os rebanhos bovinos cearenses eram conduzidos pelos tangerinos para a venda em Pernambuco, Bahia e, posteriormente, nas Minas Gerais. Percorriam rudes veredas, chamadas de “estradas sertanejas”. Nos cruzamentos de muitas destas, surgiram cidades, como Icó, Quixeramobim e Sobral. Em pouco tempo, os sertões cearenses estavam conquistados pelos invasores. Para a expansão pastoril, contribuíram: a demanda dos mercados consumidores do litoral açucareiro e da região mineradora, a facilidade na obtenção de sesmarias e de novas terras, o crescimento vegetativo (mas não qualitativo) dos rebanhos, as pastagens abundantes (na época das chuvas), as vastas áreas sertanejas, o caráter salino do solo, a exigência de pouco capital e mão-de-obra na montagem da fazenda e o próprio fato do gado se auto-transportar. Mas a venda de gado para outras capitanias não era tão lucrativa assim – o gado emagrecia, perdia-se, morria por ataque de feras, era assaltado. Havia ainda o peso dos impostos. Assim, os criadores do gado do litoral passaram, no século XVIII, a vender seus rebanhos na forma de charque (carne seca salgada ao sol), produzido nas oficinas ou charqueadas. O charque, além de seu papel dentro da própria colônia, apresentou destaque também no trafico de escravos entre o Brasil e os centros comerciais de negros em África, especialmente Angola. REFERÊNCIAS ABREU, Capistrano de. Caminhos antigos e povoamentos. São Paulo: Xerox do Brasil; Rio de Janeiro: Câmera Brasileira do Livro, 1996. ALBUQUERQUE, Manuel Coelho. Seara indígena: deslocamentos e dimensões identitarias. Fortaleza: Dissertacao de Mestrado em Historia/UFC, 2002. CORDEIRO, Jose. Os Índios no Siará, massacre e resistência. Fortaleza: E. A.,1989. GIRAO, Raimundo. História econômica do Ceará. Fortaleza: Instituto do Ceara,1947. HOONAERT, Eduardo. Catequese e aldeamento. In: SOUSA, Simone (org.) Historia do Ceara. Fortaleza: Universidade Federal do Ceara/ Fundacao Democrito Rocha, 1989. 7 LINHARES, Maria Yedda Leite. Pecuária, alimentos e sistemas agrários no Brasil (séculos XVII E XVIII). Revista Tempo, UFF/Relume Dumara, v. 1, n. 2, p. 132-150, 1996. JUCA NETO, Clovis Ramiro. Os primórdios da organização do espaço territorial e da vila cearense – algumas notas. Anais do Museu Paulista. Sao Paulo. N. Ser. v.20. n.1. p. 133-163. jan.- jun. 2012. MARQUES, Janote Pires. Festas de negros em Fortaleza: territorios, sociabilidades e reelaboracoes (1871-1900). Fortaleza: Expressao Grafica, 2009. PAIVA, Maria Arair Pinto. A elite política do Ceará provincial. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1979. PINHEIRO, Francisco Jose. Notas sobre a formação social do Ceará (1680- 1820). Fortaleza: Fundação Ana Lima, 2008. ROLIM, Leonardo Candido. Tempo das carnes no Siará Grande:...
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  • Summer '17
  • ls.cordeiro
  • Test, Estados Unidos, São Paulo, século xviii, Pernambuco, Fortaleza, Ceará

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