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Unformatted text preview: a Bem-David (1974) antes do século XVII não havia um crescimento científico contínuo. O autor deixa claro que a falta de desenvolvimento científico não é derivada da ausência de noção de ciência ou pela inexistência de talentos. Até mesmo porque muitas sociedades criaram certa quantidade de conhecimento que poderia ser considerado como científico. Por exemplo, na Mesopotâmia antiga, na Grécia e na China, onde houve realizações notáveis, segundo o autor: 80 O acúmulo rápido de conhecimento, que caracterizou o desenvolvimento da ciência a partir do século XVII, nunca ocorreu antes dessa época. O novo tipo de atividade científica surgiu apenas em alguns países da Europa Ocidental, e se limitou a essa pequena área durante aproximadamente duzentos anos. A partir do século XVII o conhecimento científico foi assimilado pelo resto do mundo. Essa assimilação não ocorreu através da incorporação da ciência às culturas e instituições das diferentes sociedades. Ao contrário, ocorreu através da difusão dos modelos de atividade científica e papéis científicos da Europa Ocidental para outras partes do mundo. (BEM-DAVID, 1974, p.37). Antes do século XVII o desenvolvimento da ciência foi caracterizado por períodos relativamente breves de florescimento e períodos prolongados de estagnação e declínio, ocasionando uma tendência de deterioração das tradições científicas. Esse fenômeno estava intimamente relacionado a problemas na comunicação científica, ou melhor, é atribuído “[...] a deficiências no mecanismo de transmissão e difusão do conhecimento”. Tais deficiências ficam evidentes quando se compara as formas como a ciência é hoje transmitida e as predominantes anteriormente. Hoje há revistas, monografias, manuais e cursos especializados de introdução. No passado, “[...] o conhecimento científico era geralmente transmitido como parte da tradição tecnológica, religiosa ou filosófica e geral.” Como os períodos de declínio científico eram normalmente mais longos do que os de crescimento científico, a continuidade do conhecimento científico era quebrada, sendo, às vezes, reiniciado de um nível inferior ao que tinha sido alcançado no passado (BEM-DAVID, 1974, p.38-39). De modo a complementar as explicações de Bem-David (1974), podemos citar um dos mais importantes e influentes estudiosos da ciência da ciência, Derek de Solla Price (1976). Este salienta que no final do século XIV houve uma redução de autores de obras eruditas, sendo acompanhado pelo declínio de diversas universidades europeias. “Houve período, que se estendeu de 1400 a 1460, em que a ciência esteve inerte como jamais havia estado.” O autor deixa clara a importância da comunicação científica como fundamental e determinante para o desenvolvimento da ciência, quando afirma que a liberação do saber científico do esquecimento foi possível graças à invenção da imprensa e a sua rápida disseminação pela Europa a partir de 1470, alterando hábitos de leitura e o esquema acadêmico...
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This document was uploaded on 01/24/2014.

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