Voc\u00eas percebem a import\u00e2ncia do depoimento de MissCardwell Ningu\u00e9m mais ouviu

Vocês percebem a importância do depoimento de

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— Vocês percebem a importância do depoimento de Miss Cardwell? Ninguém mais ouviu aquele primeiro gongo, mas o seu quarto se encontra exatamente sobre este escritório e sua posição era ideal para ouvi-lo. — Não havia portanto possibilidade alguma de suicídio. Um homem morto não pode levantar-se, fechar a porta, trancá-la e sentar- se novamente. Havia mais alguém no escritório e, portanto, não se trata de suicídio e sim de assassinato. Alguém cuja presença parecia natural a Sir Gervase estava a seu lado, falando com ele. É provável que Sir Gervase estivesse concentrado em alguma coisa que estivesse escrevendo. O assassino aponta o revólver para sua cabeça e dispara. O crime está cometido. É preciso disfarça-lo! O assassino coloca luvas, fecha a porta e coloca a chave no bolso de Sir Gervase. Mas suponhamos que alguém tivesse ouvido o barulho do gongo? Seria fácil compreender assim que a porta estava aberta, não fechada. Então a cadeira é posta em outra posição, o corpo cuidadosamente ajeitado, os dedos comprimidos firmemente no revólver, o espelho deliberadamente despedaçado. A seguir o assassino sai pela porta- janela, vibra-lhe um golpe por fora e sai pisando não na grama, mas no canteiro, onde seria mais fácil desmanchar as pegadas com um ancinho; a seguir contorna a casa e entra na sala de visitas. Poirot fez uma pausa e continuou: — Há apenas uma pessoa que estava no jardim quando o tiro foi disparado. Esta mesma pessoa deixou suas pegadas no canteiro e suas
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impressões digitais do lado de fora da porta do jardim. Ele moveu-se em direção a Ruth. — E havia um motivo, não havia? Seu pai tinha descoberto a verdade sobre seu casamento secreto. Ele estava se preparando para deserdá-la. — É mentira — gritou Ruth numa voz cheia de desprezo. — Não há uma palavra de verdade em sua história. É mentira do começo ao fim. — As provas contra a senhora são muito fortes. Pode ser que um júri acredite em sua inocência. Pode ser que não. — Ela não precisará enfrentar um júri. Os outros se voltaram, espantados. Miss Lingard estava de pé, com o rosto desfigurado. Ela tremia dos pés à cabeça. — Eu o matei. Eu confesso tudo. Eu tinha meus motivos e só estava esperando uma oportunidade. Monsieur Poirot está certo. Eu o segui ao escritório, já com a pistola, que tinha tirado antes da gaveta. Eu coloquei-me de pé a seu lado, falando sobre o livro... e disparei o tiro. Foi logo depois das oito horas. A bala atingiu o gongo. Eu nunca imaginara que ela ia atravessar sua cabeça daquele jeito. Não havia tempo de sair e procurar por ela. Assim, tranquei a porta e coloquei a chave no seu bolso. Depois girei a cadeira, quebrei o espelho e, depois de escrever DESCULPEM em letra de imprensa, saí pela porta do jardim como monsieur Poirot disse. Eu pisei no canteiro, mas desmanchei minhas pegadas com um ancinho que já tinha deixado ali. Então voltei à sala de visitas, onde tinha deixado a porta que dá para o jardim aberta. Não sabia que Ruth também tinha saído por ali. Ela deve ter dado a volta pela frente da casa enquanto eu ia pelos fundos, pois precisava pôr o ancinho no depósito de ferramentas. Esperei na sala de
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