Obs Publicado pela primeira vez in Presen\u00e7a n\u00fa Coimbra maio de 1934

Obs publicado pela primeira vez in presença nú

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Obs.: Publicado pela primeira vez in Presença, números 41-42, Coimbra, maio de 1934. Acerca da epígrafe que encabeça este poema diz o próprio autor a uma interrogação levantada pelo crítico A. Casais Monteiro, em carta a este último:
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A citação, epígrafe ao meu poema "Eros e Psique", de um trecho (traduzido, pois o Ritual é em latim) do Ritual do Terceiro Grau da Ordem Templária de Portugal, indica simplesmente - o que é fato - que me foi permitido folhear os Rituais dos três primeiros graus dessa Ordem, extinta, ou em dormência desde cerca de 1888. Se não estivesse em dormência, eu não citaria o trecho do Ritual, pois se não devem citar (indicando a origem) trechos de Rituais que estão em trabalho [In VO/II.]Esqueço-me das horas transviadasPassos da CruzEsqueço-me das horas transviadasO Outono mora mágoas nos outeirosE põe um roxo vago nos ribeiros...Hóstia de assombro a alma, e toda estradas...Aconteceu-me esta paisagem, fadasDe sepulcros a orgíaco... TrigueirosOs céus da tua face, e os derradeirosTons do poente segredam nas arcadas...No claustro seqüestrando a lucidezUm espasmo apagado em ódio à ânsiaPõe dias de ilhas vistas do convésNo meu cansaço perdido entre os gelosE a cor do outono é um funeral de apelosPela estrada da minha dissonância...Esta espécie de loucuraEsta espécie de loucuraQue é pouco chamar talentoE que brilha em mim, na escuraConfusão do pensamento,Não me traz felicidade;Porque, enfim, sempre haveráSol ou sombra na cidade.Mas em mim não sei o que háFeliz dia para quem éFeliz dia para quem éO igual do dia,E no exterior azul que vêSimples confia !
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Azul do céu faz pena a quemNão pode serNa alma um azul do céu tambémCom que viverAh, e se o verde com que estãoOs montes quedosPudesse haver no coraçãoE em seus segredos !Mas vejo quem devia estarIgual do diaInsciente e sem querer passar.Ah, a ironiaDe só sentir a terra e o céuTão belo serQuem de si sente que perdeuA alma p’ra os ter !Flor que não duraFlor que não duraMais do que a sombra dum momentoTua frescuraPersiste no meu pensamento.Não te perdiNo que sou eu,Só nunca mais, ó flor, te viOnde não sou senão a terra e o céu.Foi um momentoFoi um momentoO em que pousasteSobre o meu braço,Num movimentoMais de cansaçoQue pensamento,A tua mãoE a retiraste.Senti ou não ?Não sei. Mas lembroE sinto aindaQualquer memóriaFixa e corpóreaOnde pousaste
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A mão que teveQualquer sentidoIncompreendido.Mas tão de leve !...Tudo isto é nada,Mas numa estradaComo é a vidaHá muita coisaIncompreendida...Sei eu se quandoA tua mãoSenti pousando'Sobre o meu braço,E um pouco, um pouco,No coração,Não houve um ritmoNovo no espaço ?Como se tu,Sem o querer,Em mim tocassesPara dizerQualquer mistério,Súbito e etéreo,Que nem soubessesQue tinha ser.
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  • Fall '08
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  • Natal, Luz, fogo, sono, Pensamento

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