Dom Lancerote Eu o creio meu sobrinho nisso sa\u00eds a vosso Pai Dona Cl\u00f3ris \u00e0

Dom lancerote eu o creio meu sobrinho nisso saís a

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Dom Lancerote: Eu o creio, meu sobrinho; nisso saís a vosso Pai. Dona Clóris: (à parte) Não vi maior asno! Dona Nize: (à parte) Nem eu maior simples! (Diz dentro Semicúpio) Semicúpio: Quem merca o Alecrim? Dona Clóris: Ó Sevadilha, chama a esse homem do Alecrim; anda depressa. Sevadilha: (à parte) Entrou no fadário! Dom Lancerote: Sobrinho, não estranhais este excesso de minha sobrinha; porque haveis de saber, que há nesta terra dois ranchos. Um do Alecrim, outro da Manjerona, e fazem tais excessos por estas duas plantas, que se matarão umas às outras. Dom Tibúrcio: E vossa mercê consente, que minha primas sigam essas parcialidades? Dom Lancerote: Não vede que é moda, e como não custa dinheiro, bem se pode permitir? Dom Tibúrcio: Bem sei que isso são verduras da mocidade, mas contudo não aprovo. Dom Lancerote: E a razão? Dom Tibúrcio: Não sei. Dona Clóris: Vossa mercê como vem com os abusos do monte, por isso estranha os estilos da Corte. Dona Nize: Calai-vos, mana, que ele há de ser o maior apaixonado que há de ter o alecrim e a Manjerona. Dom Tibúrcio: Se eu enlouquecer, não duvido. (Entram Semicúpio com um molho de Alecrim ao ombro). Semicúpio: Quem quer o Alecrim? Dona Clóris: Anda pra cá: tem mão, não o ponhas no chão. Semicúpio: Pois aonde o hei de pôr? Dona Clóris: Aqui no meu colo: ai, no chão o meu Alecrim? Isso não.
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Semicúpio: A real e meio, por ser para vossa mercê? Dona Clóris: Põe aí cinqüenta molhos. Semicúpio: Pelo que vejo, esta é Dona Clóris. (à parte) Eis aí tem todos os molhos; reparta lá com a senhora, que suponho também quererá o seu raminho. Dona Nize: Ai, tira-te para lá, homem, com esse mau cheiro. Semicúpio: (à parte) Já sei, que esta é a da Manjerona de Dom Fuas. Dom Tibúrcio: Bem haja, minha prima, que não é destas invenções. Dom Lancerote: Porque é da Manjerona, por isso aborrece o Alecrim. Dom Tibúrcio: Resta-me que vossa mercê também tenha algum rancho. Dom Lancerote: Olhai vós, não deixo cá de mim para mim de ter minha parcialidade. Semicúpio: Ora demos princípio à tramóia. (à parte). Ai, senhores, quem me acode? Dom Lancerote: Que tens, homem? Semicúpio: ai, ai, confissão. (Cai Semicúpio estrebuchando, fingindo um acidente) Dona Clóris: Coitado do homem! Que tens? Que te deu? Dona Nize: Tão venenoso é o teu Alecrim, que mata a quem o traz? Dom Lancerote: Olá, tragam água. (Entram Fagundes e Sevadilha com uma quarta). Sevadilha: Ai, senhores, que isto é acidente de gota coral! Semicúpio: (à parte) O coral dos teus lábios que acidentes não fará? Dom Lancerote: A unha de grão besta é boa para isto. Dom Tibúrcio: Puxem-lhe pelos dedos, que também é bom remédio. (Dom Lancerote, Dom Tibúrcio, Sevadilha e Fagundes pegam em Semicúpio, e este com o estrebuchamento fará cair a todos). Dom Lancerote: Mostra cá o dedo. Semicúpio: (à parte) Agradeço o anel. Dom Tibúrcio: E a força que tem o selvagem! Sevadilha: Eu não posso com ele. Semicúpio: Lá vai o dedo polegar c’os diabos? Eu estou capaz de tornar a mim, antes que me deixem despedaçado. Dom Lancerote: Borrifa-o, Fagundes.
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  • Fall '08
  • Staff
  • São Paulo, Dedo, fogo, Virtude, Ombro, Semicúpio

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