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Nest transformação as ongs ganharam maior espaço e

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ajudou a construir, como a luta no plano jurídico pela reforma urbana. Nestatransformação, as ONGs ganharam maior espaço e centralidade na direção econdução do próprio movimento. Este aspecto tem também seu lado positivo -demonstra que a ausência de mobilização não significa colapso da redemovimentista social, porque, quando necessário, as ONGs acionam as açõescoletivas e o movimento social reaparece em cena: _impeachment, contra-reformasetc.3- PRINCIPAIS MUDANÇAS OCORRIDAS NOS MOVIMENTOS SOCIAIS BRASILEIROS A PARTIR DACRISE DE MOBILIZAÇÃONão nos resta a menor dúvida de que, no plano geral, a principal contribuiçãodos diferentes tipos de movimentos sociais brasileiros dos últimos vinte anosfoi na reconstrução do processo de democratização do país.Página 321E não se trata apenas da reconstrução do regime político, da retomada dademocracia e do fim do regime militar. Trata-se da reconstrução ou construção devalores democráticos, de novos rumos para a cultura do país, do preenchimento devazios na condução da luta pela redemocratização, constituindo-se como agentesinterlocutores que dialogam diretamente com a população e com o Estado.Francisco de Oliveira (1994) denomina este processo de construção da sociedadepolítica no Brasil.A capacidade de intervir e construir uma esfera pública foi um dos grandessaldos do período. Acreditamos que, em relação à importância assinalada, osautores nacionais estão em sintonia com os analistas estrangeiros sobre osmovimentos sociais. A questão é explicar como, nos anos 90, enquanto váriosanalistas brasileiros falavam sobre crise dos movimentos sociais, dedesmobilização, de refluxo das lutas etc., autores estrangeiros como Melucci,Arato, e ainda Touraine, colocam os movimentos sociais no centro da reflexãosocial, atribuindo-lhes ainda importância. Vamos aos argumentos dos dois lados.Os autores brasileiros, entre os que me incluo, que falaram da crise dos
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movimentos sociais nos anos 90 referiam-se, em primeiro lugar, a um tipoparticular de crise, não-generalizável a todos os movimentos. Trata-se de umacrise nos movimentos populares urbanos. O tipo e a forma de análise desta crisetambém é diferente segundo os autores. Para uns isto se deve ao perfilaparelhista daqueles movimentos (Abreu, 1992); para outros, porque nãoconseguiram encontrar seu lugar, presos pela lógica leninista (com excesso derigidez organizacional) ou movimentista (com excesso de assembleísmo)(Castagnola, 1987); para outros, ainda, porque os movimentos reproduzem ascontradições que buscam superar (Cardoso, 1987).Para nós trata-se de crie interna e externa. A interna reflete as mudançasque vêm ocorrendo na geração de militantes que sustentou as mobilizações nosanos 70/80, conforme já assinalado no capítulo anterior. Seus reflexos se derammais entre os movimentos sociais populares urbanos, aqueles que ocuparam ocenário e o imaginário das representações sociais no Brasil nos anos 70-80, emtermos de um decréscimo da militância e da mobilização nas ruas, nos fins desemana etc.
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