Ele mostrava lhe a lapiseira feita com uma bala Vi sim vi hoje na mesa de

Ele mostrava lhe a lapiseira feita com uma bala vi

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Ele mostrava-lhe a lapiseira feita com uma bala. — Vi sim, vi hoje na mesa de bridge. Creio que é do coronel Bury. — Sabe se ele a guardou consigo quando o jogo acabou? — Não tenho a menor idéia. — Obrigado, mademoiselle. É tudo. — Então vou chamar Ruth. Ruth Chevenix-Gore entrou na sala com o porte de uma rainha. Sua cabeça estava erguida e em seu rosto não havia traço de abatimento. Mas seus olhos eram atentos, como os de Susan Cardwell.
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Ela usava ainda a mesma roupa com que Poirot a vira ao chegar — uma túnica em tom damasco-claro. No seu ombro estava presa uma rosa de um tom bem forte. Uma hora antes a flor se mostrara fresca e viçosa, mas agora começava a murchar. — E então? — perguntou Ruth. — Sinto imensamente ter que incomodá-la — começou o major Riddle. Ela interrompeu-o. — É claro que o senhor tem que me incomodar. O senhor precisa incomodar todo mundo, é de seu dever. Mas posso poupar-lhe algum tempo. Não tenho a menor idéia do que terá levado o velho ao suicídio. Tudo o que posso lhe dizer é que não combina nada com o seu temperamento. — A senhorita notou algo de estranho em seu comportamento hoje? Ele estava deprimido ou por demais excitado? Havia alguma coisa de anormal com ele? — Acho que não. Se havia não reparei. — Qual foi a última vez que a senhorita o viu? — Na hora do chá. Poirot falou: — A senhorita não foi ao escritório... mais tarde? — Não. A última vez que o vi foi nesta sala. Sentado ali. Ela apontou uma cadeira. — Compreendo. A senhorita já viu esta lapiseira antes? — É do coronel Bury. — A senhorita lembra-se de tê-la visto recentemente? — Não saberia lhe dizer com certeza. — A senhorita sabe se havia algum... algum desentendimento entre Sir Gervase e o coronel Bury? — A propósito da Paragon Rubber Co.? — Sim. — Creio que havia. Pelo menos sei que o velho estava furioso com ele. — Será que ele achava que estava sendo vítima de uma fraude?
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Ruth deu de ombros. — Ele não entendia nada de finanças. Poirot disse: — Posso fazer-lhe uma pergunta, senhorita? Uma pergunta talvez impertinente? — Pois não. — A senhorita sente... a senhorita está triste com a morte de seu pai? Ela olhou-o fixamente. — É claro que estou triste. Só não sou de choramingar pelos cantos. Mas sentirei saudade dele... Eu gostava muito do velho. É assim que o chamávamos, Hugo e eu, sempre. O Velho ou então o Velho Homem... talvez porque nos desse a idéia de um ser primitivo, meio antropóide, meio patriarca. Parece falta de respeito, mas na verdade havia muita afeição por trás de nossa maneira de falar. É claro que ele foi o velho mais teimoso e asneirento que jamais existiu. — Muito interessante, senhorita. — O velho tinha o cérebro de um piolho. Não me leve a mal, mas é a pura verdade. Completamente incapaz de qualquer trabalho intelectual. Mas vejam bem, era um homem de grande personalidade e coragem, um desses tipos que vão ao Pólo ou entram em duelos. Sempre achei que ele era fanfarrão de propósito, porque sabia que sua inteligência não era das melhores. Qualquer um podia enganá-lo. Poirot tirou a carta do bolso. : — Leia isto, mademoiselle.
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