Escrevi e pus no seu travesseiro onde o senhor ia ver na hora de deitar Annie

Escrevi e pus no seu travesseiro onde o senhor ia ver

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bilhete. Escrevi e pus no seu travesseiro, onde o senhor ia ver na hora de deitar. — Annie fez uma pausa, já sem fôlego. Poirot examinou-a gravemente durante alguns segundos. — Acho que você vê muitos filmes sensacionalistas, Annie — disse
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ele por fim, — ou será que está sendo afetada pela televisão? Mas o que importa é que você tem um bom coração e um pouco de engenhosidade. Quando eu voltar a Londres lhe enviarei um presente. — Oh, eu agradeço, sir. Muito obrigada, sir. — O que você gostaria, Annie, de ganhar de presente? — O que eu quiser, sir ? Posso pedir o que eu quiser? — Dentro de limites — disse Hercule Poirot, prudentemente, — pode. — Oh, sir, posso pedir um estojo de cosméticos? Que nem um daqueles estojos de verdade que a irmã do Sr. Lee-Wortley, sei que não era irmã, tinha? — Pode — respondeu Poirot, — pode, acho que isso não é difícil. Interessante — refletiu ele, — outro dia eu estava num museu analisando algumas antigüidades da Babilônia, ou de um desses lugares, com milhares de anos — e dentre elas havia estojos de cosméticos. O coração da mulher não muda. — Como disse, sir? — perguntou Annie. — Nada — respondeu Poirot. — Estava pensando. Você ganhará seu estojo, minha filha. — Oh, obrigada, sir. Oh, muitíssimo obrigada, sir. Annie saiu em êxtase. Poirot seguiu-a com os olhos, balançando a cabeça, satisfeito. — Ah — disse para si mesmo. — E agora... me vou. Não há mais nada a fazer aqui. Um par de braços envolveu seus ombros, inesperadamente. — Se o senhor quiser ficar de pé debaixo de um visco... — disse Bridget. Hercule Poirot se divertiu. Divertiu-se bastante. Disse para si mesmo que tivera um excelente Natal.
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O MISTÉRIO DO BAÚ ESPANHOL I Extremamente pontual, como sempre, Hercule Poirot entrou na pequena sala onde a Srta. Lemmon, sua eficiente secretária, aguardava as instruções do dia. À primeira vista, a Srta. Lemmon parecia ser completamente composta de ângulos — satisfazendo, assim, o gosto de Poirot pela simetria. Não que Hercule Poirot levasse a tal ponto sua paixão pela precisão geométrica, no que dizia respeito às mulheres. Era, pelo contrário, antiquado. Tinha um preconceito continental pelas curvas — curvas voluptuosas, melhor dizendo. Gostava que as mulheres fossem mulheres. Gostava de mulheres exuberantes, extremamente exageradas, exóticas. Houve uma certa condessa russa — mas há muitos anos atrás. Loucura da juventude. Mas ele nunca considerara a Srta. Lemmon como mulher. Era uma máquina humana — um instrumento de precisão. De eficiência terrível. Tinha quarenta e oito anos de idade, e a sorte de não possuir qualquer espécie de imaginação. — Bom dia, Srta. Lemmon. — Bom dia, M. Poirot. Poirot sentou-se e a Srta. Lemmon pôs à sua frente a correspondência da manhã, muito bem organizada por assuntos. Retomou seu lugar, lápis e papel em punho. Mas, naquela manhã, haveria uma ligeira modificação na rotina. Poirot trouxera consigo o jornal do dia, e seus olhos o percorriam com interesse. A manchete estava em letras garrafais: MISTÉRIO DO BAÚ ESPANHOL. ÚLTIMOS DETALHES. — Já leu o jornal de hoje, não, Srta. Lemmon?
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— Já, M. Poirot. A notícia de Genebra não é das melhores.
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