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8 <;, acesso em 02 de março de 2017. formas de ocupação da cidade - e especialmente que as mulheres não compõem um gru - po uniforme, mas que é preciso considerar a interseccionalidade que contempla a dife- renciação entre gênero, classe e raça - traz à tona a importância do território na cidade, onde sabemos que há zonas onde as leis são mais ou menos respeitadas, a depender de quem as ocupa. E esse desrespeito às leis pode acarretar também maior violência contra a mulher, fenômeno que pode ser chamado de “geografia da violência”, conforme ensina Schilling (2014, p. 55). Angela Davis (2016) ensina que as diversas opressões que decor - rem dessas categorias não devem se hierarquizar3, mas estar lado a lado na luta pela transformação de nossas cidades e da sociedade. E isso faz diferença? Sim, basta lembrarmos que grande parte de nossas referências na literatura do urbanismo é de origem europeia, branca e masculina. Há pouquíssimas mulheres. E de que forma esse arcabouço teórico foi construído? A partir da perspecti- va masculina, cada teórico constrói sua teoria a partir de sua experiência. Se não temos mulheres criando, não teremos nossas preocupações no foco do debate. A formação do conhecimento não é neutra, não é somente objetiva, vem sempre contagiada por nossas experiências pessoais e ideológicas. Isso não é negativo, mas é um dado que reforça a im- portância de termos mais mulheres pensando a cidade. Durán bem pontua: “o peso que as perspectivas neutras têm sobre o conhecimento dos sujeitos e a generalizada preten- são de converter algumas perspectivas particulares em universais: a suposta perspectiva neutra e universal tem gênero e idade, etnia e língua. (2008, p. 64 - tradução livre) Há diversas iniciativas nacionais e internacionais de grupos de mulheres que preten- dem retomar os espaços públicos para si, não somente como espaços de passagem, mas também como espaços de permanência, onde possam se demorar. Indianas lançaram um campanha chamada #WhyLoiter 4 , que pode ser traduzido por: “Por que demorar-se”, nome foi inspirado no livro de Shilpa Pahdke, Sameera Khan e Shilpa Ranade, que trata da importância da ocupação dos espaços públicos por mulheres em Mumbai 5 . Desde en- tão tem sido exercício cotidiano dessas mulheres a ocupação dos espaços públicos. Elas têm saído em grupos para praias e parques, registrando que essa experiência de cami- nhar livremente pelos parques, frequentar barracas de chai à noite tem sido libertadora. “O que as mulheres querem não é uma segurança que condiciona o comportamento fe- minino, mas sim o direito incondicional de estar no espaço público e de assumir riscos”, relata Phadke 6 . Em Los Angeles há o Ovarian Psicos, coletivo de mulheres negras que reivindicam as ruas, as noites e as bicicletas 7 , questionando o ciclismo enquanto atividade dominada por homens brancos.
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