Jurar que o marido estava no terraço alguém poderia

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jurar que o marido estava no terraço . Alguém poderia levantar a suspeita de que ele a tivesse matado ao entrar no quarto e encontrar o corpo... Mas essa hipótese nem seria aventada se uma enfermeira bem-treinada afirmasse com ênfase que ela já estava morta há mais de uma hora. “Outra coisa que se explica é o curioso clima de nervosismo e tensão que dominava a expedição este ano. Desde o começo, nunca pensei que isso pudesse ser atribuído apenas à influência da sra . Leidner. Durante vários anos, essa mesma expedição cultivou uma reputação de feliz camaradagem. Na minha opinião, o estado mental de uma comunidade sempre está diretamente relacionado com a influência de seu líder. O dr. Leidner, por mais calado que fosse, sempre teve personalidade forte. Com sensibilidade, capacidade de julgamento e simpatia ao lidar com as pessoas, conseguia manter uma atmosfera feliz o tempo todo. “Se havia mudança, portanto, ela provinha do líder. Em outras palavras: do dr. Leidner. Era o dr . Leidner, e não a sua esposa, o responsável pela tensão e inquietude. Não é de se admirar que o pessoal tivesse percebido a mudança sem entendê-la. O dr. Leidner, por fora o mesmo, apenas interpretava o papel de bondoso e cordial. Por trás dessa máscara, pulsava um fanático obcecado maquinando um assassinato. “E agora vamos esmiuçar o segundo crime: o da srta. Johnson. Organizando a papelada do dr. Leidner no gabinete (tarefa à qual se entregou sem ser mandada, ansiosa por arrumar algo a fazer), ela deve ter se deparado com o rascunho inacabado de uma das cartas anônimas. “Para ela, aquilo deve ter sido ao mesmo tempo incompreensível e intensamente perturbador! O dr. Leidner aterrorizando a esposa de propósito! Não conseguia entender... mas aquilo a perturbava demais. É nesse estado de espírito que a enfermeira Leatheran a descobre chorando. “Não acho que a esta altura ela suspeitasse que o dr. Leidner fosse o assassino, mas minhas experiências sonoras nos quartos da sra. Leidner e do padre Lavigny não lhe passam despercebidas. Ela se dá conta de que, se havia sido o grito da sra. Leidner que ela ouvira, a janela do quarto dela devia estar aberta, não fechada . Por enquanto, isso não lhe dizia nada importante, mas ela vai se lembrar disso . “A mente dela continua trabalhando... buscando com empenho a verdade. Talvez ela tenha feito alguma referência às cartas; o dr. Leidner compreende e muda de comportamento. É possível que ela tivesse percebido que ele, de repente, tornou-se receoso. “Mas o dr. Leidner não podia ter matado a mulher! Todo o tempo estava no terraço . “E então, numa tardinha, enquanto ela mesma se encontra no terraço quebrando a cabeça para resolver o problema, a verdade lampeja em sua mente. A sra. Leidner tinha sido morta dali de cima , pela janela aberta.
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