Nenhuma disse o Rocha Nenhuma sr reitor Havia l� muitas raparigas conversei com

Nenhuma disse o rocha nenhuma sr reitor havia l?

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existe entre si e essa tal Nancy de Bastos. – Nenhuma – disse o Rocha. – Nenhuma, sr. reitor. Havia lá muitas raparigas, conversei com algumas, mas não houve mais nada do que isso. Agora se uma se lembra de andar a incomodar o Seminário com telefonemas a perguntar por mim, penso que a culpa não é minha. – Caro Rocha, não se faça de ingénuo. Já lidei com muitas situações semelhantes. Pode mesmo dizer-se que sou calejado nestes casos de meninas de colégio que se relacionam com seminaristas. Se ela telefona para aqui à sua procura é porque a tal conversa não foi tão inocente como isso. – Juro, sr. reitor... – Olhe, caro Alberto Rocha, estive a conversar com a madre superiora e depois com uma tal irmã Miquelina, responsável pelo grupo das estudantes. Fiquei a saber que, durante a festa, os dois seminaristas, que eu autorizei a ir ao colégio em colaboração pastoral, se comportaram de uma forma pouco exemplar. Até o bispo teria dado conta, o que é de sobremaneira grave. Penitencio-me disso, já que fui eu a autorizar a vossa ida. As irmãs disseram-me que vocês não saíram de ao pé das raparigas e que até, já a festa tinha terminado, insistiram em ficar até anoitecer a cantar e a tocar canções que não seriam muito próprias dentro dos muros de um colégio religioso. As irmãs decidiram não aceitar mais a tal Nancy no colégio e tomarão medidas para evitar futuras
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72 complicações. Por mim, disse-lhes que, perante este caso, não poderia consentir em mais colaborações nas festas ou noutras actividades que possam solicitar-me. O Rocha ali estava, meio vencido, entre a culpa que talvez não tinha e o medo do juiz que o censurava e em breve ditaria a sentença. Num acto súbito de coragem, levantou a cabeça e exclamou: – Sr. reitor, tudo isso que me conta acho-o de péssimo nível. Em primeiro lugar, não lhe dou autoridade para vir com acusações. – O quê?! Não estou a entender! – interrompeu-o abismado. – É muito fácil de entender. Você não é mais o meu superior. Despeço-me. Use a autoridade com aqueles que não têm coragem para dizer não. Para mim basta. Com licença. Abriu a porta e saiu. O Rocha teve de abandonar o Seminário. Perante o que disse ao reitor, não podia ficar mais dentro daquelas paredes. Fez as malas, apanhou a camioneta e voltou à terra, os livros de teologia às costas. Levava-os porque lhe tinham custado um dinheirão e talvez lhe servissem um dia para consulta e satisfação da curiosidade sobre as coisas do espírito. Entrou para uma universidade e esperava o sorriso do futuro. Encontrou o sol na rua, viu um horizonte maior do que sonhara. As sombras não existiriam se a luz brilhasse. A menina alta e doce encontrou-a, mas perdeu-a em seguida porque não soube jogar com os deuses. Enquanto o Rocha se refugiava nos livros e se esforçava por fazer o curso, a Nancy fazia sucesso entre os rapazes mais velhos da escola para onde fora estudar depois da saída do colégio. Um rapazola finalista caiu-lhe nas boas graças e, por
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73 artes de Cupido, foi tão intenso o fragor da Primavera daquele ano que a Nancy conseguiu engravidar e, cheia de vergonha, deixou de escrever ao Rocha. Este, por volta de Junho, tendo
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  • Spring '14
  • GBALERIA
  • Luz, Seminário, Braga, Loucura

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