H� sempre escuro dentro de mim Se escuro alguém dentro de mim ouve A chuva como

H? sempre escuro dentro de mim se escuro alguém

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Há sempre escuro dentro de mim.Se escuro, alguém dentro de mim ouveA chuva, como a voz de um fim...Os céus da tua face, e os derradeirosTons do poente segredam nas arcadas...No claustro seqüestrando a lucidezUm espasmo apagado em ódio à ânsiaPõe dias de ilhas vistas do convésNo meu cansaço perdido entre os gelos,E a cor do outono é um funeral de apelosPela estrada da minha dissonância...Começa a ir ser diaComeça a ir ser dia,O céu negro começa,Numa menor negrura
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Da sua noite escura,A Ter uma cor friaOnde a negrura cessa.Um negro azul-cinzentoEmerge vagamenteDe onde o oriente dormeSeu tardo sono informe,E há um frio sem ventoQue se ouve e mal se sente.Mas eu, o mal-dormido,Não sinto noite ou frio,Nem sinto vir o diaDa solidão vazia.Só sinto o indefinidoDo coração vazio.Em vão o dia chegaQuem não dorme, a quemNão tem que ter razãoDentro do coração,Que quando vive negaE quando ama não tem.Em vão, em vão, e o céuAzula-se de verdeAcinzentadamente.Que é isto que a minha alma sente ?Nem isto, não, nem eu,Na noite que se perde.Como a noite é longa !Como a noite é longa !Toda a noite é assim...Senta-te, ama, pertoDo leito onde esperto.Vem p'r'ao pé de mim...Amei tanta coisa...Hoje nada existe.Aqui ao pé da camaCanta-me, minha ama,Uma canção triste.Era uma princesaQue amou... Já não sei...Como estou esquecido !Canta-me ao ouvidoE adormecerei...
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Que é feito de tudo ?Que fiz eu de mim?Deixa-me dormir,Dormir a sorrirE seja isto o fim.Como inútil taça cheiaComo inútil taça cheiaQue ninguém ergue da mesa,Transborda de dor alheiaMeu coração sem tristeza.Sonhos de mágoa figuraSó para Ter que sentirE assim não tem a amarguraQue se temeu a fingir.Ficção num palco sem tábuasVestida de papel sedaMima uma dança de mágoasPara que nada suceda.Como uma voz de fonte que cessasseComo uma voz de fonte que cessasse(E uns para os outros nossos vãos olharesSe admiraram), p'ra além dos meus palmaresDe sonho, a voz que do meu tédio nasceParou... Apareceu já sem disfarceDe música longínqua, asas nos ares,O mistério silente como os mares,Quando morreu o vento e a calma pasce...A paisagem longínqua só existePara haver nela um silêncio em descidaP'ra o mistério, silêncio a que a hora assiste...E, perto ou longe, grande lago mudo,O mundo, o informe mundo onde há a vida...E Deus, a Grande Ogiva ao fim de tudo...Conta a lenda que dormiaConta a lenda que dormiaUma Princesa encantada
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A quem só despertariaUm Infante, que viriaDe além do muro da estrada.Ele tinha que, tentado,Vencer o mal e o bem,Antes que, já libertado,Deixasse o caminho erradoPor o que à Princesa vem.A Princesa Adormecida,Se espera, dormindo espera.Sonha em morte a sua vida,E orna-lhe a fronte esquecida,Verde, uma grinalda de hera.Longe o Infante, esforçado,Sem saber que intuito tem,Rompe o caminho fadado.
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  • Fall '08
  • Staff
  • Natal, Luz, fogo, sono, Pensamento

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