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Adesão ao mercado do sexo é vislumbrada como uma

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adesão ao mercado do sexo é vislumbrada como uma etapa na vida destas pessoas e não como um fim em si mesmo. Tal situação pretende entrever como, para muitas destas pessoas, a pornografia não consiste em um projeto pessoal, sendo o projeto aquilo que a pornografia lhes permitiria obter. No entanto, embora em minoria, também existem atrizes que desafiam o “discurso oficial”, revelando ser o prazer sexual o principal motor de sua incursão no pornô. Alguns indivíduos da própria rede avaliam positivamente tal fato, pois sendo elas “desencanadas” em sua postura relativa ao sexo, são maiores as probabilidades de êxito na carreira. Por outro lado, ainda em relação à questão da escolha, é preciso enfatizar que muitos rapazes e garotas decidem não entrar ou não continuar em empregos convencionais, devido à falta de vontade de cumprir horários estritos de trabalho, recebendo em troca um salário irrisório, quando comparado ao dinheiro que se pode obter na pornografia e/ou
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269 fazendo programa. Em suas visões de mundo e estilos de vida, o apreço pelo dinheiro coexiste com uma alta valorização de rotinas de trabalho alternativas às convencionais. Assim, embora entre atores e atrizes exista a clara percepção das dificuldades de seu trabalho e das dimensões do risco quando o próprio corpo atua como mercadoria, a linguagem que fala da exploração – com a qual recorrentemente referem-se aos esquemas comerciais da indústria sexual – é situacionalmente ajustada a discursos de acomodação , parafraseando Wacquant (2000). Nestes últimos, a pornografia e seus trânsitos pela prostituição são positivados em função daquilo que podem proporcionar, à diferença dos trabalhos convencionais a seu alcance, tendo-se em conta que muitos nem mesmo completaram (ou apenas terminaram) o segundo grau. Neste sentido, o trabalho sexual viabiliza outro tipo de dignidade, constituindo uma trilha efetiva para se localizar do lado da produção e não especificamente na categoria de produto. Enfim, suas experiências remetem à pesquisa de Wacquant ( Ibid, 138): Os boxeadores apreciam estar “bem no lugar da produção”, serem “ self-made men no sentido literal de produzirem-se a si mesmos através do trabalho corporal diário na academia e fora dela. Muitos deles inicialmente buscam a profissão por causa de uma combinação de amor ao jogo e desejo de escapar dos “trabalhos escravos” da manufatura decadente e da nova economia de serviços, nos quais se é obrigado a “engraxar os sapatos dos outros” e agüentar submissão pessoal, humilhação cultural e perda de honra masculina para assegurar condições para um emprego durável – tudo isso para ganhar uma ninharia que não garante nem segurança econômica, nem oportunidades de promoção (Bourgois, 1995). Eles consistentemente interpretam o boxe profissional como uma rota de fuga diante do destino modal de “passar por vinte diferentes empregos” que não levam a lugar algum.
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    Kiran Temple University Fox School of Business ‘17, Course Hero Intern

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