Entra Fagundes Fagundes J� acabaram de cantar Pois agora entrem a chorar Dona

Entra fagundes fagundes j? acabaram de cantar pois

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(Entra Fagundes)
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Fagundes: Já acabaram de cantar? Pois agora entrem a chorar. Dona Clóris: Por que, Fagundes? Fagundes: Porque o senhor seu tio diz que logo vem ao quintal, afirmando que há ladrões em casa, e diz que se não há de deitar esta noite ainda que faça rosa divina. Dom Gilvaz: Aonde estará Semicúpio? Fagundes: Não aparece; senhores, escondam-se e não digam ao depois, que duro foi, e mal se cozeu. Dona Nize: Metam-se nesta capoeira entretanto. Dom Gilvaz: E que remédio, já que Semicúpio não aparece? Dom Fuas: A necessidade sabe unir a quem se deseja separar. Nize cruel, eu me escondo na capoeira, que só o lugar das penas é o centro de um amante infeliz. (Mete-se na capoeira). Dom Gilvaz: Quem serve a Cupido, às vezes é leão, às vezes galinha. (Mete-se na capoeira). Fagundes: Ah, senhores, não me esmaguem os ovos de uma galinha que aí está de choco. (Entram Dom Tibúrcio e Sevadilha) Sevadilha: Senhor, não me persiga: olhem o diabo do homem! Dom Tibúrcio: Aí no quintal te quero. Mas aqui está Clóris, e Nize, remediarei o negócio. Esta moço faz zombaria de mim; deixa-me tu casar, que eu te porei a caminho. Dona Clóris: Que é isso, Primo? Como, estando doente, e tão perigoso, vem a estas horas as sereno? Dom Tibúrcio: Que há de ser, se vocês não sabem ensinar esta rapariga, pois nada lhe digo que não faça às avessas? De sorte que me fez vestir e sair atrás dela, como desesperado das perrices que me faz. Dona Nize: Tu não queres, Sevadilha, senão ser descortês a meu Primo? Fagundes: Vossas mercês não querem crer que se há de fazer desta moça a peste, fome e guerra. Sevadilha: Para que estamos com arcas encoiradas? O Senhor Dom Tibúrcio anda-me ao sucário, e não me deixa uma hora, nem instante. Dom Tibúrcio: Cale-te, mentirosa. Fagundes: Isso tem ela que levanta um testemunho como quem levanta uma palha. Dona Clóris: Não nos importa essa averiguação; só digo, Senhor Dom Tibúrcio, que parece muito mal estar vossa mercê aqui conosco a estas horas, e que pode vir meu Tio e achar-nos com vossa mercê; que suposto seja primo e com tentações de noivo, sempre o recato e decência se deve conservar, e assim lhe pedimos em cortesia se vá para o seu quarto. Sevadilha: Ande, vá despejando o beco. Dom Tibúrcio: Nem eu quisera que meu Tio me achasse aqui por nenhum modo. Mas coitado de mim, que ele lá vem! Tomara que me não visse. Sevadilha: Pois esconda-se nessa capoeira. Dom Tibúrcio: Dizes bem. Dona Clóris: Estás louca, Sevadilha? Meu Primo há de se lá meter numa capoeira? Isso não. Dom Tibúrcio: Não importa que para conservar o seu recato me meterei na parte mais imunda.
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Dona Nize: Estamos perdidas, que lá se encontra com os dois! Que fizeste, maldita? Sevadilha: Eu bem sei o que fiz: verão que peça lhe prego. Dom Gilvaz: Este dever ser Semicúpio. És tu Semicúpio? Dom Tibúrcio: Qual Semicúpio? Sou uma Semibala para ele: quem está aqui? Ó Sevadilha, abre-me a porta que eu quero sair, corra a água por onde correr. Sevadilha: Cale-se que aí vem o velho. Dom Fuas: Que tal me suceda!
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  • Fall '08
  • Staff
  • São Paulo, Dedo, fogo, Virtude, Ombro, Semicúpio

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