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Por mais que tudo aquilo que averróis procurasse

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Por mais que tudo aquilo que Averróis procurasse estivesse muito próximo dele, como uma maneira de indicar o significado daquelas palavras – crianças no “teatro” debaixo da janela, o ardiloso Abulcásim com sua retórica e descrições de
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peças teatrais – o intuito do comentador no sentido da compreensão do que Aristóteles pretendia dizer, foi além. Averróis teve a pretensão de ser um outro. Colocar-se no lugar de outro homem que viveu catorze séculos antes dele para tentar compreender o que ele queria dizer com duas palavras. É óbvio que se trata de um conto, que sugere esse comportamento de Averróis, mas entendo que Borges acerta ao apontar a metáfora que explica a deficiência no processo de compreensão quando a possibilidade de resgatar o momento de intensão – intensidade, vivacidade – do autor é algo vedado. O momento não é resgatado nem na própria língua. Quando se trata então de uma tradução de tradução, no caso do conto e no cotidiano daqueles que estudam filosofia em língua portuguesa, por exemplo, o problema se amplifica. Borges surpreende ao utilizar o exemplo proposto – palavras ligadas à representação teatral – pois nos permite questionar se a mediação, a tradução, o comentário, a aula, ou seja, representações daquilo que foi fixado por determinado filósofo, resgatam o que foi dito ou retomam a motivação que gerou o texto filosófico. Nesse aspecto, não consistiria num problema em si a inacessibilidade ao ambiente próprio e ao ambiente histórico de um filósofo para que este pudesse ser compreendido, senão pela pretensão filosófica de utilizar-se da linguagem para solucionar problemas, analisando a verdade e colocando-se como verdade. Se um texto filosófico não busca fundamentos, ao menos ele tem que se pretender verdadeiro. É possível interpretar a verdade? Ou há uma verdade específica, ligada ao intento do filósofo? Num âmbito da literatura que não tem essa pretensão, como no caso da
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