Fagundes Serei o que vossa merc\u00ea quiser Semic\u00fapio Como se chama Fagundes

Fagundes serei o que vossa mercê quiser semicúpio

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Fagundes: Serei o que vossa mercê quiser. Semicúpio: Como se chama. Fagundes: Ambrósia Fagundes Birimboa Franchopana e Gregotil. Semicúpio: Isso são nomes ou alcunhas? Fagundes: Será o que vossa mercê for servido. Semicúpio: Casada ou solteira? Fagundes: Nem casada, nem solteira, assim, assim. Semicúpio: Assim como? Fagundes: É que tenho o marido no Brasil há quarenta e sete anos. Semicúpio: De que anos casou? Fagundes: De quarenta justos, que os fui fazer à porta da Igreja. Semicúpio: Que anos tem? Fagundes: Vinte e cinco bem puxados. Semicúpio: Não é nada, casou de quarenta, tem o marido no Brasil há quarenta e sete anos, e diz que tem vinte e cinco de idade! Vá-se daí bêbada, falsária, que a hei de amarrar a uma escada, e deita-la por essa janela fora. Fagundes: Eu não sei contar, senão pelos dedos: ouça vossa mercê que eu quero dar a minha quartada. Semicúpio: A quartada dei eu: ande; ande, não cuide que se há de lavar com uma bochecha d’água; vá-se para dentro. Fagundes: Eu vou rebolindo. (Vai-se). (Entra Sevadilha) Sevadilha: Sou criada de vossa mercê. Semicúpio: Ai, que já a justiça começa a abrir os olhos para ser a Sevadilha! Eu encosto a vara que estou varado. Menina, como é o seu nome? Sevadilha: Sevadilha, sem mais nada. Semicúpio: Que anos tem? Sevadilha: Sete mui fanados. Semicúpio: Só sete? Não sois má cartinha para um sete levar. Casada ou solteira? Sevadilha: Estou para casar com um criado daqui do seu vizinho, D. Gil, que ainda que feio é mui carinhoso. Semicúpio: Esse foi o que furtou o capote a seu amo? Sevadilha: Este mesmo.
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Semicúpio: Logo é ladrão? Sevadilha: É o vicio que tem, que se não fora isso era um moço perfeito. Semicúpio: Ai, Sevadilha, que esse ladrão... Sevadilha: Que tem, meu senhor? Semicúpio: Nada, nada: e por um triz que não deponho a judicatura e perco o juízo: assina-te aqui em branco, que eu estou pelo que disseres. Sevadilha: Eu não sei escrever. Semicúpio: Porém, sabes muita letra: vai-te aí para dentro. A rapariga me pôs a ver jurara testemunhas. Sevadilha: Eu já vi uma cara que se parecia com a deste Juiz. (Vai-se). Semicúpio: Entre quem falta. Dom Gilvaz: Resta Dona Clóris; Semicúpio, perdoa que hei de falar-lhe. Semicúpio: Faça o que lhe digo, e não tenha graças comigo. Dom Gilvaz: Como estás inchado! Semicúpio: Se queres ver o vilão, mete-lhe a vara na mão. (Entra Dona Clóris) Dona Clóris: Senhor Juiz, logo declaro que eu de furtos não sei nada, e só que D. Gil foi um dos da capoeira, e está inocente, porque... Dom Gilvaz: Porque foi preciso obedecer-te, querida Clóris. Dona Clóris: Que vejo! D. Gil? Cobre alentos o meu coração. Dom Gilvaz: Não te admires dos sucessos de meu amor que os influxos do teu Alecrim sabem triunfar dos maiores impossíveis. Semicúpio: Aliás, que um Semicúpio sabe fazer possíveis as maiores dificuldades. Aí tem, Senhor D. Gilvaz, o seu bem de portas a dentro; tenho cumprido a minha palavras e, se não está bem servido, busque quem o faça melhor. Dona Clóris: Uma vez que me vejo em tua casa, não porei mais em contingências a minha fortuna. Semicúpio: Isso mesmo; quem disse casa, casa. (Entra Dom Lancerote) Dom Lancerote: Que é isto, Senhor Doutor? As testemunhas vêm e não tornam? Semicúpio: Já está concluída e sentenciada a devassa.
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  • Fall '08
  • Staff
  • São Paulo, Dedo, fogo, Virtude, Ombro, Semicúpio

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