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Este objeto lhe pertence hem ah sim eu a estava

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— Este objeto lhe pertence? — Hem? Ah, sim. Eu a estava usando hoje à tarde enquanto jogávamos bridge. Sabe que nunca joguei tão bem quanto hoje? — O senhor estava jogando bridge antes do lanche, não? Qual era o estado de espírito de Sir Gervase quando veio tomar seu chá? — O de sempre. Nunca me poderia passar pela cabeça que ele estivesse pensando em se suicidar. Mas pensando bem, talvez estivesse um pouco mais excitado do que o normal. — Qual foi a última vez que o senhor o viu? — Eu? Naquela hora, no chá. Nunca mais vi o pobre coitado vivo. — O senhor não teria ido ao escritório depois do lanche? — Não, nunca mais o vi, estou lhe dizendo. — A que horas o senhor desceu para o jantar? — Quando ouvi o primeiro gongo. — O senhor e Lady Chevenix-Gore desceram juntos? — Não... nós, nós nos encontramos no hall. Acho que ela tinha ido à sala de jantar para ver o arranjo das flores... algo assim. O major Riddle interrompeu: — Espero que o senhor não se aborreça, coronel Bury, se eu lhe fizer uma pergunta pessoal. Houve alguma espécie de desentendimento
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entre o senhor e Sir Gervase a propósito da Synthetic Paragon Rubber Co.? O coronel Bury fez-se subitamente muito vermelho e gaguejou um pouco: — N... não, de jeito algum. Mas é preciso se levar em consideração que o velho Gervase era uma criatura difícil. Esperava que tudo que tocava se transformasse em ouro. Parecia não compreender que há uma crise de caráter mundial. Todas as ações tinham que sofrer um pouco. — Então quer dizer que havia um certo desentendimento entre os senhores? — Não era desentendimento. Apenas incompreensão de Gervase. — Ele pôs a culpa de alguns prejuízos que tivera sobre sua pessoa? — Gervase era meio doido. Vanda sabia disto, mas sabia também como lidar com ele. Eu preferi deixar o caso em suas mãos. Poirot tossiu e o major Riddle mudou de assunto, depois de olhá- lo de esguelha. — Sei que o senhor é um velho amigo da família, coronel Bury. Será que o senhor sabia como Sir Gervase tinha feito seu testamento? — Bem, acho que a maior parte da herança seria de Ruth. Foi o que deduzi do que Gervase deixava escapar. — O senhor não acha que isto era um pouco injusto com Hugo Trent? — Gervase não gostava de Hugo. Nunca simpatizou com ele. — Mas ele tinha uma noção muito grande de família. Afinal, Miss Chevenix-Gore não passava de sua filha adotiva. O coronel Bury hesitou, mas, depois de limpar a garganta uma ou duas vezes, acabou por dizer: — Olhem, acho que devo lhes contar uma coisa, mas peço-lhes sigilo absoluto a respeito. — Claro... claro... — Ruth é ilegítima, mas é uma Chevenix-Gore. É filha do
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irmão de Gervase, Anthony, que morreu na guerra. Parece que ele teve um caso com uma datilógrafa e depois de sua morte esta escreveu a Vanda. Vanda foi vê-la, a moça estava grávida. Vanda discutiu o assunto com Gervase pois tinha acabado de ser informada de que não poderia ter mais filhos. O resultado foi que quando a criança nasceu eles a adotaram, com a mãe renunciando a todos os direitos. Eles criaram Ruth como sua filha verdadeira e para todos os propósitos ela é
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