Colette como eu tinha a voca\u00e7\u00e3o do lar em nome do qu\u00ea eu a teria contrariado

Colette como eu tinha a vocação do lar em nome do

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em nome do quê eu a teria contrariado? Lucienne queria voar por suaspróprias asas; não a impedi. Por que tanta raiva injusta da parte deMaurice? Tenho dor de cabeça e enxergo turvo.Telefonei a Colette. Ela acaba de me deixar: meia-noite. Ela me fez bem,me fez mal, não sei mais onde está meu bem ou meu mal. Não, eu não foraautoritária, possessiva, intrometida. Assegurou-me, com efusão que eu fora amãe ideal e que nos entendíamos perfeitamente, eu e seu pai. ParaLucienne como para muitas jovens, a vida de família era um peso, mas aculpa não era minha. (Lucienne tinha relações complicadas comigo porqueadorava o pai, um Édipo clássico.) Irritou-se: — Acho revoltante da parte depapei dizer-lhe o que disse.Tinha ciúmes de Maurice com Lucienne. É agressiva em relação ao pai,muito empenhada em vê-lo em falta. E muito desejosa, também, de mereconfortar. Lucienne com sua dureza aguda teria me informado melhor.Falei horas com Colette e não estou mais avançada.Encontro-me num impasse. Se Maurice é um sujo, gastei minha vida aamá-lo. Mas talvez ele tivesse razões de não me suportar mais. Então, devopensar que sou odiosa; desprezível, sem mesmo saber por quê. As duashipóteses são atrozes.QUARTA-FEIRA 2 DE DEZEMBROIsabelle acha — em todo o caso, ela falou — que Maurice não pensa umquarto do que disse. Teve aventuras que não me confessou: isto é banal.Tinha me repetido que uma fidelidade de vinte anos é impossível para umhomem. Evidentemente, Maurice teria feito melhor se me falasse, mas sesentiu ligado aos juramentos. Suas queixas contra mim, inventou-as de umahora para outra: se tivesse casado comigo a contragosto, eu teria percebido enós não teríamos sido tão felizes. Aconselha-me a passar a esponja. Obstina-se em pensar que estou no bom caminho. Os homens escolhem sempre omais fácil; é mais fácil com sua mulher do que se aventurar numa vidanova. Ela me fez marcar hora, por telefone, com uma de suas amigas que éginecologista, conhece muito bem os problemas do casal, e que poderia meajudar, pensa ela, a ver claro em minha história. Seja.Maurice está cheio de agradinhos comigo, desde segunda--feira, comoacontece cada vez que vai longe demais.— Por que me deixou viver oito anos na mentira?— Não queria causar-lhe pena.— Deveria ter-me dito que não me amava mais.— Mas não é verdade: disse isto zangado. Sempre quis muito a você.Quero-a.— Não me pode querer se pensa a metade do que me disse. Acha, emverdade, que fui mãe possessiva?Decididamente, de todas as maldades que me atirou em rosto, foi a quemais me revoltou.
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— Possessiva, é exagero.— Mas?— Sempre lhe disse que acusava demais as filhas. Colette reagiumodelando-se, dòcilmente, sobre você própria e Lucienne por umantagonismo que lhe foi, com freqüência, penoso.
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