Uma vez definida a distribuição da sucção e os

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Uma vez definida a distribuição da sucção e os parâmetros de resistência, o cálculo do fator de segurança é uma tarefa simples. Mas para se ter uma representatividade da condição real, é preciso conhecer-se a distribuição espacial e temporal da sucção. O cálculo de estabilidade deixa de ser uma análise única para um talude. Além disso, depende fundamentalmente da interação do talude com as condições climáticas associadas com a infiltração da água da chuva, a variação do nível freático ou outro mecanismo que al- tere a distribuição da sucção no solo. Em vista da importância da infiltração na estabilidade dos taludes não saturados, reservou-se a próxima seção para discutir exclusivamente esse tópico. 3 Causas de instabilização das encostas devido à infiltração Dentre os agentes causadores de escorregamento em geral, pode-se dizer que, no caso de solos não saturados, o principal é a água. A instabilização pode se dar por infiltração (chuva, lançamento de águas servidas, ruptura de tubulações, etc.) ou pela subida do nível freático e consequente redução de sucção. Existem outras causas de escorregamentos que não estão relacionadas com infiltração, mas não farão parte do escopo deste capítulo. A água pode ser tanto agente preparatório para o escorregamento, como deflagrador desse processo. Por isso, para se entender o comportamento de encostas em condições não saturadas, é fundamental entender como ocorrem a infiltração e a distribuição de umidade (ou grau de saturação ou sucção). Terzaghi (1950) identificou com muita clareza três cau- sas de escorregamentos: interna, externa e intermediária. Dentre as causas, a água tem papel fundamental, pois pode tanto promover o aumento do peso específico devido ao aumento de umidade, como aumentar a pressão hidrostática em meios fraturados e gerar pressão de água positiva decorrente da percolação. No caso dos solos não saturados, a redução da resistência provocada pela queda de sucção pode comandar o processo de instabilização. Existem tentativas de se correlacionar duração e intensidade de chuvas com escorrega- mentos. As propostas de Guidicini e Iwasa (1976) e Tatizana et al . (1987) são as mais difundi- das na literatura nacional. As duas correlações foram desenvolvidas para a Serra do Mar, em Cubatão-SP, mas têm diferenças conceituais. Guidicini e Iwasa (1976) usaram como compa- ração as chuvas acumuladas a partir de julho até a data do evento.
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Tópicos sobre infiltração: teoria e prática aplicadas a solos tropicais 460 Por outro lado, Tatizana et al. (1987) relacionaram a intensidade de chuva com a pluviometria acumulada nos quatro dias anteriores ao evento, conforme está apresentado na Figura 1. A proposta de Tatizana et al. (1987) pode ser melhor justificada conceitual- mente, porque considera a infiltração dos dias que antecedem o escorregamento. Nas en- costas não saturadas, as chuvas antecedentes são preparatórias, pois a infiltração promove
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