Sofista nenhum crime do qual os crommelynck ayrs

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sofista, nenhum crime do qual os Crommelynck-Ayrs estejam sabendo — e parecia que J. estava de novo sendo regida pelo marido. Talvez ela estivesse sendo regida por ele o tempo todo. Assim, não havia outra coisa a fazer que não visitar a casa dos Van de Velde na cidade. Atravessei o saudoso parque de Minnewater ao anoitecer. Chovia gelo, frio como nos montes Urais. A Luger de Ayrs pediu para vir também, e assim enfiei minha amiga de aço no bolso cavernoso do casaco de pele de carneiro. Prostitutas papudas fumavam no coreto. Não me senti tentado nem por um segundo — num dia assim, só se sai de casa numa missão desesperada. A doença de Ayrs me fez perder o interesse nelas, talvez para o resto da vida. À porta da casa dos V. de V., cabriolés faziam fila, cavalos bufavam vapor, cocheiros com casaco longo encolhiam-se de frio, fumando e batendo os pés no chão para esquentar-se. As janelas eram iluminadas por luzes cor de baunilha, debutantes esvoaçantes, taças de champanhe, candelabros ardentes. Uma grande função estava em andamento. Perfeito, pensei. Camuflagem, certo? Um casal feliz subiu os degraus cuidadosamente, a porta abriu-se — Sésamo — uma gavota vazou para a rua congelada. Fui atrás do casal, subindo os degraus cobertos de gelo seco, e bati na aldraba dourada, tentando manter a calma. O Cérbero de sobrecasaca me reconheceu — um mordomo surpreso nunca é uma notícia boa. “ Je suis desolé, monsieur, mais votre nom ne figure pas sur la liste des invités .” Barrado à porta. As listas de convidados, argumentei, não se aplicam a velhos amigos da família. O homem sorriu à guisa de pedido de desculpas — eu estava lidando com um profissional. Um bando de gansas envoltas em mantos e brilhos chegou nesse momento, e o mordomo teve a má ideia de deixar que elas passassem por mim. Eu já havia percorrido metade do saguão iluminado quando a mão enluvada segurou-me pelo ombro. Perdi a linha, devo confessar, do modo mais humilhante — tenho passado o diabo, não há como não admitir —, e fiquei a gritar o nome de Eva, Eva, Eva, como uma criança malcriada tendo um chilique, até que a música de dança cessou, e saguão e escadas encheram-se de convivas escandalizados. Apenas o trombonista continuou a tocar. Para você ver como são os trombonistas. Formou-se um enxame de consternação em todas as principais línguas da Europa. No meio de todos aqueles zumbidos agourentos surgiu Eva, com um vestido de baile azul-ferrete e um colar de pérolas verdes. Creio que gritei “Por que você está me evitando?”, ou alguma outra frase igualmente digna. E. não veio deslizando pelo ar até cair nos meus braços, derreter-se ao meu contato e acariciar-me com palavras de amor. Seu 1o movimento foi repulsa: “O que aconteceu com você, Frobisher?”.
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Havia um espelho no saguão; consultei-o para entender o que ela queria dizer.
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  • Spring '09
  • SteveWard

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    Kiran Temple University Fox School of Business ‘17, Course Hero Intern

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    Jill Tulane University ‘16, Course Hero Intern