Nosso interlocutor acima argumenta que os povos ind\u00edgenas deixaram por

Nosso interlocutor acima argumenta que os povos

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nacional. Nosso interlocutor acima argumenta que os povos indígenas deixaram, por diferentes práticas de violação de seus direitos, os centros urbanos e buscaram proteção "exilados" nas florestas. Isso os afastou significativamente do cenário político nacional. Esse espaço urbano, de contradições e de luta, foi ocupado pela população negra e pelas reivindicações das suas instituições (Movimento Negro). Contradiscursos e rupturas curriculares No cenário da política curricular da UERJ, a partir da segunda metade da década de 2000, a participação dos estudantes se intensificou e gerou um movimento político em torno do currículo capaz de, no ano de 2012, conduzir a criação de uma comissão de reforma curricular, da qual faziam parte, de forma paritária, estudantes e professores. O interesse do corpo discente (principalmente dos que estavam diretamente envolvidos com a política universitária) pelo tema do currículo não era o ponto de partida das atividades e das reivindicações estudantis. Em grande medida, era, antes, um ponto de chegada. Era parte da culminância da luta por se fazer ouvir, e da luta por questões estruturais urgentes. Em
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CLAUDIA MIRANDA e FERNANDO G. PIMENTEL 810 outros termos, se esboçou um projeto de uma outra universidade que incluía estudantes como sujeitos ativos e protagonistas do processo de produção de conhecimento. Como vimos até aqui, o currículo é um espaço de luta política, de luta por hegemonia de diferentes projetos que se processa dentro e fora da universidade, dentro e fora dos seus microespaços. O currículo prescrito, na maior parte das vezes, não se alinha ao currículo praticado, e isso dependerá de uma série de fatores, indo desde a autonomia dos professores frente a ementas, muitas vezes deslocadas/descoladas das realidades cotidianas, até a capacidade dos estudantes de articularem demandas e as apresentarem aos professores. A organização desses sujeitos no curso de História na UERJ fez emergir uma série de situações nas quais se articulavam grupos de interesses intra e entre as categorias docentes e discentes. Em determinados momentos esses interesses assumiam formas muito diversas e até mesmo opostas. O estudante “A” se questiona sobre esses interesses: Qual é o problema? O problema é dos estudantes? Ou o problema é de um currículo que não se adéqua a realidade dos estudantes? Porque para você conseguir se formar em quatro anos e meio, você vai ter que ser uma pessoa com um perfil social muito privilegiado na nossa sociedade. Você não vai precisar trabalhar, muitas vezes você vai ter que abrir mão de um estágio. Você vai ter que cursar tanto de manhã quanto de noite, pegar todas as matérias, chegar na hora, não morar longe também, já que a mobilidade urbana no Rio de Janeiro é péssima. Então você precisa ser uma pessoa privilegiada socialmente para conseguir se formar em quatro anos e meio. Esse foi um dos questionamentos principais da época: para quem serve esse currículo? (Caderno de entrevistas, relato do estudante “A”, 2015).
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  • Spring '20
  • Dr Lucy
  • Estados Unidos, Rio de Janeiro, Capitalismo, Segunda Guerra Mundial, Historiografía, Idade Moderna

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