Pelo menos o frobisher trabalha para ganhar o

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“Pelo menos o Frobisher trabalha para ganhar o dinheiro dele!” Meus anfitriões recusaram-se a aceitar meu pedido de desculpas, dizendo que Eva é que devia pedir desculpas a mim, que ela tem que deixar para trás sua visão pré-copernicana de um universo que gira ao seu redor. Música para meus
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ouvidos. Ainda sobre Eva: ela e vinte colegas vão em breve para a Suíça, para estudar numa escola-irmã por uns dois meses. Mais música! Vai ser como a sensação de que caiu um dente apodrecido. Meu novo quarto é tão grande que dá para jogar tênis em duplas dentro dele; há uma cama de dossel cujas cortinas fui obrigado a sacudir para que delas saíssem as traças do ano passado; o papel de parede secular está descascando, lembra escamas de dragão, mas tem lá seu charme; bola decorativa de vidro azul; guarda-roupa com marchetaria de castanheira; seis cadeiras de braço e uma escrivaninha de sicômoro, na qual escrevo esta carta. Paninhos de renda, luz abundante. Para o sul, veem-se amostras grisalhas de topiaria. Para o oeste, vacas pastando no campo e a torre da igreja elevando-se por trás das árvores do bosque. Os sinos dessa igreja são meu relógio. (Na verdade, em Zedelghem há uma abundância de relógios antigos de carrilhão, que batem uns antes da hora, outros depois, como uma Bruges em miniatura.) De modo geral, é um tanto mais grandioso que nossos aposentos em Whyman’s Lane, e um tanto menos que o Savoy ou o Imperial, mas é espaçoso e é uma coisa certa. A menos que eu faça algo de desastrado ou indiscreto. O que me leva ao assunto de Mme. Jocasta Crommelynck. Quero ser mico de circo, Sixsmith, se essa mulher não começou, sutilmente , a flertar comigo. A ambiguidade de suas palavras, seus olhares e seu roçar de dedos é demais para ser obra do acaso. Diga-me o que você acha. Ontem à tarde, estava eu estudando umas peças raras da juvenília de Balakirev no meu quarto quando a sra. Crommelynck bateu à porta. Estava com seu traje de montaria e o cabelo preso, revelando um pescoço bastante tentador. “Meu marido quer lhe dar um presente”, disse ela, entrando quando eu recuei. “Tome. Para comemorar a conclusão do ‘Todtenvogel’. Sabe, Robert”, a língua dela prolonga o T de “Robert”, “o Vyvyan está muito alegre por ter voltado a trabalhar. Há anos que eu não o vejo tão lépido. É só uma lembrancinha. Vista.” E entregou-me um colete magnífico, de seda, estilo otomano, um padrão fantástico, o tipo de coisa que nunca entra na moda nem sai dela. “Comprei na nossa lua de mel no Cairo, quando ele tinha a idade que você tem agora. Ele nunca vai voltar a usar isso.” Respondi que me sentia lisonjeado, porém não podia de modo algum aceitar uma roupa com tamanho valor sentimental. “É justamente por isso que nós queremos que você use. As nossas lembranças estão embebidas nesse tecido.
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  • Spring '09
  • SteveWard

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What students are saying

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    Kiran Temple University Fox School of Business ‘17, Course Hero Intern

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    Jill Tulane University ‘16, Course Hero Intern